"Who are you?"
Foi tudo o que conseguir dizer. Aquela esquisitisse toda tinha me pegado de surpresa, me deixando sem muitas reações.
Ela ergueu uma sobrancelha e cruzou os braços.
"Don't you know who am I?"
"N-no..." eu balbuciei.
"You should know."
Ela andou em volta do sofá e entrou no corredor. Eu fiquei olhando. Aí ela voltou uma fração de tempo depois.
"C'mon! I don't have the whole day!" E desapareceu pelo corredor de novo, entrando no meu quarto.
"Guria louca!" Eu reclamei enquanto levantava contra a minha vontade.
"Eu ouvi isso." Ela falou quando eu olhei para dentro do meu quarto. Ela estava sentada na minha cama, de pernas e braços cruzados. "Ou melhor, entendi isso."
Fiquei indignado.
"Quantas línguas você fala?"
"Três." Ela disse, com sotaque. "E um pouco de francês."
Eu não tinha tempo, ou melhor, saco pra aquela maluquice.
"Eu vou perguntar só mais uma vez:Quem diabos é você?"
Ela olhou pra cima e suspirou ainda mais alto. Levantou e andou até poucos centímetros à minha frente. Eu recuei desconfiado.
"Lyna Häagen te lembra alguma coisa? Ou será que já esqueceu?"
Meu coração palpitou. Muito sangue correu para o meu cérebro e eu comecei a pensar um monte de coisas. A primeira coisa que me veio à cabeça foi o Gian me pregando uma peça contratando aquela garota e mandando para a minha casa só pra ver a minha reação, mas lembrei que o Gian é o penúltimo cara que eu conheço que contrataria uma mulher. Além disso, isso não explicava o aparecimento bizarramente repentino em frente à minha TV. Aquilo tinha sido um troço muito bem bolado. Seja como for, aquilo tudo tava muito errado.
Foi a minha vez de suspirar.
"Que palhaçada é essa hein?"
Ela fechou a cara e me fitou em tom de desafio. Foi aí que meu coração palpitou de novo. Ela era perfeita. O cabelo, o olhar, o rosto, as pernas... A atitude estava um pouco diferente, mas ela com certeza devia se comportar assim quando se sentia tremendamente insatifeita com alguma situação. Perfeita. Tudo combinava na maior perfeição que eu já havia presenciado com a Lyna Häagen que eu tinha imaginado e descrevido em uma história que comecei a postar neste mesmo blog meses atrás. Tudo que pude fazer foi abrir um sorriso e acreditar.
"É você!" Eu disse em voz baixa, tocando o rosto dela.
Ela afastou minha mão com um tapa brusco.
"Eu não vim aqui pra esse tipo de coisa, idiota."
A porta se abriu com um ruído surpreendente, como o de costume. Meu pai estava segurando a maçaneta.
"David, vamo lá embaixo come no..." Ele viu a Lyna. "Alôu! Tudo bem?"
"Oi, tio!" Ela disse que com uma voz meiga e inocente.
"Vocês vão sair?" Meu pai perguntou.
"É. A gente vai comer fora." Menti. Ela me olhou intrigada
"Você tem dinheiro?"
"Tenho, pai." Menti de novo.
"Então tá." Ele disse com um sorriso bobo e uma satisfação curiosa na voz, que eu nunca tinha ouvido antes. A porta se fechou.
"Eu não vou sair com você, idiota."
"Não mesmo, você vai sair da minha casa e, por coincidência, eu vou te acompanhar. Se você tiver alguma coisa pra me dizer, diga no caminho."
Ela me olhou, puta da vida.
"Fine!" Disse institivamente.
Abriu a porta e saiu com pressa.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Surreal
Eu estava sentado no meu sofá. Aquele com uma coloração vermelho-laranja.
Eu assistia qualquer besteira na mtv, quando meu pai entrou na sala para prosseguir com um dos esporros intermináveis tão típicos dele. Não posso condenar ele por isso, já que eu sei que vou ser como ele, um dia.
Ele falava e eu fingia que escutava, até que ele saiu pelo corredor. Aquilo tudo não tinha me deixado exatamente feliz, o que me fez continuar a assistir a besteira qualquer sem dar a devida atenção, pois muita coisa se passava pela minha cabeça.
Até que uma coisa surreal aconteceu. E eu quase pulei de espanto.
Houve um ruído seco, como o estouro de um balão em uma sala de estúdio muito pequena e muito bem isolada de sons exteriores. Uma fumaça branca se espalhou em frente à TV que cuspia cores em incontáveis tons em minha direção e se dissipou, tão rápido quanto surgiu. No começo eu pensei que a TV tinha pifado, e já tava pensando no outro esporro que eu ia levar, mas fui contrariado.
Uma garota. Uma garota ruiva e de pele caucasiana impecável e dourada pelo sol. Ela me encarou com ameaçadores olhos azuis enquanto eu notava as sardas que salpicavam seu nariz e maçãs. Ela suspirou e colocou uma mecha vermelho-alaranjada atrás da olheira esquerda.
Nesse instante, sem nenhuma explicação ou relação com sua atitude, eu soube que ela era alemã. Não sei porquê. Mas os segundos seguintes traíram minha predicção.
Ela falou algumas palavras em alemão e eu fiz uma careta intrigada. Eu sei reconhecer alemão, mas difcilmente consigo entender. Diante desta situação entediante, ou pelo menos foi isso que deixou claro em sua expressão. ela resolveu esclarecer:
Falou em bom inglês:
"You watch the TV
Forget what you're told
You are too young
And they are too old
The joke is on you
This place is a zoo"
Eu, contendo a surpresa mista com satisfação, disse:
"You're right, it's true."
Eu assistia qualquer besteira na mtv, quando meu pai entrou na sala para prosseguir com um dos esporros intermináveis tão típicos dele. Não posso condenar ele por isso, já que eu sei que vou ser como ele, um dia.
Ele falava e eu fingia que escutava, até que ele saiu pelo corredor. Aquilo tudo não tinha me deixado exatamente feliz, o que me fez continuar a assistir a besteira qualquer sem dar a devida atenção, pois muita coisa se passava pela minha cabeça.
Até que uma coisa surreal aconteceu. E eu quase pulei de espanto.
Houve um ruído seco, como o estouro de um balão em uma sala de estúdio muito pequena e muito bem isolada de sons exteriores. Uma fumaça branca se espalhou em frente à TV que cuspia cores em incontáveis tons em minha direção e se dissipou, tão rápido quanto surgiu. No começo eu pensei que a TV tinha pifado, e já tava pensando no outro esporro que eu ia levar, mas fui contrariado.
Uma garota. Uma garota ruiva e de pele caucasiana impecável e dourada pelo sol. Ela me encarou com ameaçadores olhos azuis enquanto eu notava as sardas que salpicavam seu nariz e maçãs. Ela suspirou e colocou uma mecha vermelho-alaranjada atrás da olheira esquerda.
Nesse instante, sem nenhuma explicação ou relação com sua atitude, eu soube que ela era alemã. Não sei porquê. Mas os segundos seguintes traíram minha predicção.
Ela falou algumas palavras em alemão e eu fiz uma careta intrigada. Eu sei reconhecer alemão, mas difcilmente consigo entender. Diante desta situação entediante, ou pelo menos foi isso que deixou claro em sua expressão. ela resolveu esclarecer:
Falou em bom inglês:
"You watch the TV
Forget what you're told
You are too young
And they are too old
The joke is on you
This place is a zoo"
Eu, contendo a surpresa mista com satisfação, disse:
"You're right, it's true."
domingo, 6 de dezembro de 2009
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Linda idéia surgida do tédio.
"Tá chato aqui. Vamo pegar o carro."
Ao ouvir isso, abri os olhos confuso, abanei a fumaça do narguilé e foquei os olhos naquele que sentava na outra cadeira de plástico, próximo à mim. Ele me encarava com um curioso sorriso, que mesclava um certo ar de desafio e uma dose de timidez, pela proposta.
"Sua mãe acabou de chegar aqui..."
Alisei os cabelos para trás
"Acho que ela ainda vai demorar..."
"Então, véi!"
Ele se inclinou pra frente e abaixou o tom de voz como em um segredo.
"Vamo!?"
"Fazer merda?" Eu sorri.
"Eu sei que tu também quer!"
Nossos olhos fitaram-se e eu não pude conter um riso modesto.
"É... Você sabe!"
Atravessamos os pais bêbados, a sala onde uma molecada jogava XBox e a cozinha que cheirava a feijão. Abrimos o portão e, dois bipes depois, abríamos a porta do carro também.
"Isso vai ser bem divertido!" Eu disse, sinceramente empolgado.
Sentei e coloquei o cinto. Ele deu a partida e uma música pesada começou a tocar. Aquilo tudo me fazia o mesmo efeito de uma generosa xícara de café expresso.
"Eu nunca peguei um carro"
Ele engatou a primeira...
"É mais fácil do que parece. Ainda mais pra mim que já tô acustumado com o carro da minha mãe."
... e foi pra frente...
"É, eu tô sabendo das suas histórias!"
Nós rimos juntos.
Aí ele freiou...
"Peraí, deixa eu dar a ré..."
... e deu a ré.
BRRÔUSK!!!!
E bateu no carro de um dos "parentes".
"EU SABIA QUE IA DAR MERDA!!!!"
Ao ouvir isso, abri os olhos confuso, abanei a fumaça do narguilé e foquei os olhos naquele que sentava na outra cadeira de plástico, próximo à mim. Ele me encarava com um curioso sorriso, que mesclava um certo ar de desafio e uma dose de timidez, pela proposta.
"Sua mãe acabou de chegar aqui..."
Alisei os cabelos para trás
"Acho que ela ainda vai demorar..."
"Então, véi!"
Ele se inclinou pra frente e abaixou o tom de voz como em um segredo.
"Vamo!?"
"Fazer merda?" Eu sorri.
"Eu sei que tu também quer!"
Nossos olhos fitaram-se e eu não pude conter um riso modesto.
"É... Você sabe!"
Atravessamos os pais bêbados, a sala onde uma molecada jogava XBox e a cozinha que cheirava a feijão. Abrimos o portão e, dois bipes depois, abríamos a porta do carro também.
"Isso vai ser bem divertido!" Eu disse, sinceramente empolgado.
Sentei e coloquei o cinto. Ele deu a partida e uma música pesada começou a tocar. Aquilo tudo me fazia o mesmo efeito de uma generosa xícara de café expresso.
"Eu nunca peguei um carro"
Ele engatou a primeira...
"É mais fácil do que parece. Ainda mais pra mim que já tô acustumado com o carro da minha mãe."
... e foi pra frente...
"É, eu tô sabendo das suas histórias!"
Nós rimos juntos.
Aí ele freiou...
"Peraí, deixa eu dar a ré..."
... e deu a ré.
BRRÔUSK!!!!
E bateu no carro de um dos "parentes".
"EU SABIA QUE IA DAR MERDA!!!!"
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