sábado, 11 de maio de 2024

Bêbado

 Acordei pensando nela. Seria isso só mais uma história de amor? Creio que não. Bebi 6 cervejas ontem. O suficiente para ficar bêbado na véspera, e ficar normal no dia seguinte. Acontece que eu não consigo dormir de cara. Encarar meus sonhos sóbrio é mais difícil que encarar a realidade. Meus sonhos me julgam mais do que o real. A realidade pouco se fode pra minha existência. O Universo não conspira a favor de ninguém. É apenas a sua força positiva que força bons momentos nesse existir. Acho que estou ficando cada dia mais sóbrio, e, por consequência, louco. Eu sento em frente a essa tela em branco e acredito que tenho mundos e fundos para escrever aqui. Talvez não seja verdade. Eu não sou um obcecado pela minha escrita. Caralhos, eu não sou um obcecado pela minha música, que é minha arte mais proeminente. Eu não sou obcecado por nada. Muitas jovens hoje em dia se orgulham (e eu tirei essa estatística do cu) de serem intensas, de colocarem seus sentimentos mais ardentes em todas suas ações. Praticamente bruxas, donas do seu destino e grande apreciadoras de temperos e especiarias em tudo que é emocional. Devo ser o oposto disso. Não sou nada. Sou a indiferença e o vazio. Sou uma tela em branco que para sempre permanecerá amorfa e sem gosto. Será isso verdade? Eu sempre estou com meus sentimentos frágeis, buscando razões para ser esse ser sensível que sou. O menor dos problemas pode parecer o fim do Mundo. Mas logo passa.


Mais um gole de vinho e um rap de Black Alien no fundo, e aqui estou eu. Hoje eu troquei uma ideia de uns 12 minutos ou mais com ela ao sair do trampo. Ela ia pra um aniversário de uma amiga em uma bar na Ceilândia. Eu agradeci aos céus e a todos os deuses quando vi os pés dela ao subir das portas da loja, quando eu estava saindo. Eu queria beijar a boca dela do nada. Eu queria demonstrar desesperadamente tudo o que sinto quando estamos juntos, só nós dois. Mas a cautela me fez indiferente. Não posso ser alguém que vá ser julgado por suas ações. Melhor não agir então. Essa é minha armadilha definitiva. Eu peco por não ter nada a dizer. Mas, no fim das contas, eu o que sinto não pode ser posto em palavras. Ou pelo menos é isso o que acho. Bukowski era craque nos diálogos. Em trocar experiências entre dois personagens. Eu sou craque na introspecção. Escrever em primeira pessoa sobre o que vejo dos meus sentimentos. Deve ser uma escrita muito mais medíocre do que duas pessoas conversando. Mas, é isso que tem pra hoje. Eu sorrio pensando nesse ditado popular. É o que tem pra hoje. A vida é só o agora. O passado, o futuro, tudo isso é só um delírio em nossos cabeças. Desde que comecei a desempenhar meu papel de classe, e quero dizer classe trabalhadora, eu aprendi uma coisa ou outra. Aprendi um pouco sobre mim mesmo, acima de tudo. Acho que sempre vou ser assim. Difícil mudar esse ponto de vista autocentrado. 


Mas, no fim das contas, sou grato. Grato por toda a interação humana que tenho que vivenciar todos os dias. Bukowski odiava os outros e estava melhor sozinho. Eu estou melhor com alguém, ainda que não fale muito. Eu falo muito sobre o velho Buk, né? Deve ser porque é o cara que eu mais leio enquanto dou minhas cagadas diárias. Não sou um grande leitor. Mas meu intestino o é. Escatologias a parte, acho que estou no meu auge. 32 anos. Quase a idade de cristo. Quem saberá dizer como serão os próximos 365 dias? Passei por poucas e boas merdas na juventude. Sou quase um homem de meia-idade agora. Um homem, apesar de toda a garoteagem que desempenho todos os dias. Se eu pedisse um conselho a John Lennon, ele provavelmente diria, se fosse vivo, "diga à garota que você gosta o quanto você gosta dela". Eu pulei essa etapa na adolescência. Fui direto pra Depressão. E de quê me serviu? Perdi a virgindade aos 17 com uma garota maravilhosa, apesar de fora dos padrões de beleza. Fui um tolo em relação a isso, e não valorizei a troca e a conexão com ela como deveria ter valorizado. Nunca me achei bom o suficiente.


 Sempre estive diminuído por algo que dizia que eu deveria ser muito melhor do que realmente sou. Quando, na verdade, eu só posso ser quem realmente sou. Óbvio. Mas, na minha mente deprimida, eu sou nada. Não é verdade. Eu sou algo. Eu estou aqui. E vou lutar para viver.  



domingo, 21 de abril de 2024

I fall in love too easily.

 Três e meia da manhã. Saí para comprar uísque na conveniência do posto de gasolina mais próximo. 32 anos e morando com meus pais. Trabalhando num emprego de merda. Esse é o cenário que a vida reserva pra mim no auge do século XXI. Digo auge, porque muito provavelmente a  humanidade só irá ladeira a baixo a partir daqui. Mas que merda. Caralho, eu não sou ninguém. Não sei conversar com ninguém. Não sei agradar meus interesses afetivos. Sou um merda. E é isso que me sobra. Encher a cara de destilado vagabundo às 4 da manhã. Não sou muito diferente desse meu ex-colega de trabalho, Victor. Foi demitido por faltar demais. Estava sempre de ressaca e bebia como um Opala velho. Pelo menos não tenho filhos. Não dei essa oportunidade de decepcionar alguma prole nesse mundo escroto. Gente demais nesse planeta. Pra quê colocar mais ser humano nessa loucura? Um dos meus melhores amigos, Henrique, diz que está muito satisfeito com sua família, com seu filho e esposa. Eu estou feliz por ele. Mas nunca seguiria o mesmo caminho. Talvez eu deva virar mendigo. Talvez eu deva abandonar todos meus vícios e virar um Monge budista no mosteiro de Pirenópolis. Nada é real. Nada faz sentido. Pra quê perseguir uma vida plena? Não há plenitude. Tudo isso é só um teatro.  Uma sociedade que vive de aparências só tem isso: Uma casca frágil e sem resistência. Que quebra no primeiro baque de realidade. 

Mas porquê essa fossa toda? 


Provavelmente porque fui rejeitado amorosamente por ela. Admirar alguém com as profundezas de sua alma e ser recusado até das migalhas de interesse e afeto pode levar um homem a loucura. "It's always about a girl, even when It's not". Pedro Reis é o maior pensador desse século, e as frases do Juvenillia Café ainda ecoam na minha mente. Mas foda-se. Eu já deveria ter me acostumado. Chet Baker se apaixonava fácil demais, assim como eu. Deu no que deu. Morreu cedo demais e amargurado. "Você fala mal dos Emos, mas age como um o tempo todo" me disse André uma vez em 2006. Ou algo assim. Porra. Ser sensível demais é uma bosta. Às vezes eu só queria ser um macho escroto, coçar o saco e cuspir no chão sem preocupações. De que me serve estar sempre com os sentimentos frágeis? De nada. De porra absolutamente nenhuma. É só um obstáculo. Um impedimento para agir e viver. Estou sempre paralisado. E nem sei bem o porquê.


Aqui estou ouvindo The Doors. Impossível não ouvir a voz de Jim Morrison e não lembra do meu gato, Jim. Meu finado gato Jim. Ele teve uma vida plena, mas eu sentia um pouco da melancolia dele. Abandonado, sem nunca ter mamado da mãe muito provavelmente, Jim era um pouco triste de se ver. Na velhice, ele já estava debilitado. Na juventude, não parecia se encaixar nos estereótipos felinos de forma alguma. Era um estranho, um forasteiro no mundo animal. E talvez por isso, eu me enxergasse tanto nele. Não pertenço a esse corpo. Não pertenço à existência. Eu queria ser o vazio. Eu queria ser o Nada. Mas aqui estou, vivo. É como uma maldição. A vida é uma prisão? Talvez eu esteja pessimista demais. Foda-se. Acho que estar triste é estar vivo. Viver é sofrer. Pelo menos estou sentindo algo. O nada e o vazio não me proporcionaria nada disso. Pensando por esse lado, acho que posso ser grato a minha existência. Tudo passa, eu acho. Isso também vai passar. Vou estar aqui amanhã. E no dia seguinte. E pouco vai importar o pé-na-bunda. Quantos anos tenho pela frente? Se meu coração hipertenso aguentar, diria que seriam mais uns 60 anos. Isso é mais do que eu tenho de vida. Ainda vou me foder muito, demais, nessa vida. E no fim das contas, esse texto será só mais uma lembrança bonitinha de tempos mais juvenis registradas neste blog. 


Levanto da minha cadeira e acendo um cigarro. Dou uma pausa nesse vômito de pensamentos. Eu sentei aqui pensando em contar uma Estória. Algo mais narrativo do que isso. Mas é disto que estou cheio: De mim mesmo. É disso que estou sempre cheio: Dos meus problemas e frustrações. 


Agora são 5 da manhã. Logo o dia vai raiar. E eu vou ter que vestir minha máscara de "está-tudo-bem". Eu trabalho amanhã. Vou dormir pouco e acordar exausto. Vou cochilar até os últimos minutos e pegar uma carona com papai até o trampo. Como se eu ainda tivesse 13 anos e precisasse ir para a Escola. É isso que me resta. Ser quem eu sou. Não preciso esconder isso de ninguém. Eu só estaria fugindo de mim mesmo.