Entornei mais uma dose. "Aonde isso vai me levar agora?" Pensei olhando a lâmpada pendurada no teto da espelunca. "Ontem a ressaca foi foda demais pra aguentar, mal saí da cama." Mas que isso importa? O homem inventou as armas e o dinheiro. Já devo estar bêbado o suficiente pra não fazer sentido nenhum, mas toda a merda parece girar em torno disso: armas e dinheiro. De que adianta ficar de frescura por causa de uma ressacazinha enquanto os assassinatos e a pobreza seguem seus cursos naturalmente por aí? É por isso que vim beber aqui de novo. Eu aguento.
- Mais uma aí, patrão?
- Por favor. Com gelo, dessa vez.
Fui servido de mais uísque. Beberiquei com calma enquanto curtia a Solidão. Só tinha eu na porra do bar, e estava tudo muito bem assim, obrigado. Na verdade ficaria bom mesmo se entrasse alguém do naipe da Luiza Brunet, louca para amar um Homem. Meus olhos encontrariam os dela. Eu desviaria o olhar, por ser um covarde, mas ainda assim, ela viria sentar ao meu lado no balcão. Me pediria um cigarro, ou sei lá o que. Duas horas daqui ela estaria na minha cama, e eu, me sentindo o Fodão.
Não foi o que aconteceu. A porta se abriu, mas foi um rapaz que entrou. Devia ter uns dezoito anos, não sei. Um puta babaca. Camisetinha da Abercrombie, cabelinho do Neymar, um tênis que mais parecia uma bota espacial. Ele não veio sozinho. Mais uns dois idiotas, um pouco mais altos, pularam pra dentro. Todos frequentavam a academia. Tinham os bracinhos inchados de tanto Whey Protein.
Agarrada ao primeiro babaca, vinha uma morena num vestidinho bem justo que terminava muito a cima dos joelhos. Uns peitos e uma bunda que puta que o pariu.
- NOSSA! Parece que faz séculos que ALGUÉM entra aqui! - Ela latiu com uma voz que quase me amoleceu o pau.
- Esse lugar tá sempre vazio, GATA. Ninguém vem aqui com o ARUMA logo do outro lado da rua.
"Aruma" é um bar logo em frente onde uma Stella custa doze reais. Tentei esquecer que não estava mais só. Olhei pra TV lá no alto e tentei me concentrar na reprise de uma luta menor do UFC. A patota dos legais escolheu uma mesa. Falaram merda atrás de merda e resolveram beber.
- Desce um combo de ABSOLUT!! Mas peraí, qual o energético que vem, Red Bull?
- Só tem Mastodonte. - sentenciou a garçonete do ultimo turno.
- MASTODONTE!? - Alguém riu descontroladamente - Ô Matias, tu já tomô essa merda?
- Nuncovifalar.
Conversa vai, conversa vem. Eu preferia que fosse e nunca mais voltasse, mas não tinha como evitar a poluição dos meus ouvidos. Descobri que os figuras se chamavam Matias, Tadeu e João. A gostosa era a Marília. Tomás Antônio Gonzaga talvez até sentisse tesão com essa, mas me pergunto se renderia algum poema.
- Mais uma, chefe?
- Pode descer. E, ou. Bota uma música aí. O ambiente tá meio down hoje.
- 'Pra já, guerreiro.
Jeff pegou um controle remoto e acionou um desses canais de música que têm nesses aparelhos de televisão fechada. Escolheu o canal que eu gostava de ouvir. Estava bem no comecinho de Roadhouse Blues, dos Doors, para a minha sorte.
- Agora sim.
Nada como beber ouvindo musica de bêbado.
- Aff, ninguém aguenta essas músicas de VELHO. - Marília rosnou bem alto.
- Ô GARÇOM! - Um dos babacas se levantou e veio até o balcão. - Me dá o controle aê! Deixa eu ver uma coisa...
Jefferson nunca deu o controle, o garoto se debruçou sobre o balcão e o alcançou.
- Ei, eu gosto dessa música! - Me pronunciei.
Os quatro me olharam como se eu tivesse rastejado pra fora de uma privada.
- A gente é MAIORIA aqui. -Ela justificou, revirando os olhos. "Sua puta", pensei.
A música mudou.
GATA ME LIGA MAIS TARDE TEM BALADA QUERO CURTIR COM VOCÊ NA MADRUGADA
Pedi mais uma dose. Virei tudo de uma vez. Pedi outro. Acendi um cigarro e mirei a juventude de hoje, bebendo vodka com energético. Latiam e cacarejavam. O mundo era deles e de mais ninguém. Apaguei o cigarro pela metade no cinzeiro e me levantei.
Cambaleei por entre as cadeiras vazias, equilibrando o uísque dentro do copo. Notaram que eu me aproximava e me encararam. Botei a mão vaga no ombro de Tadeu (ou será que era o Matias? Foda-se...)
- Escuta...
Ele se desvencilhou com um movimento desconfiado.
- Não, escuta....
- Que qui foi, rapá?
- PORQUE VOCÊ NÃO VAI TOMAR NO CU?
Afundei o copo de vidro nas fuças dele e cambaleei pra trás. Ele caiu da cadeira, com sangue vertendo da cara. Marília gritou, os outros dois se levantaram. Só lembro de ter levado um golpe e apagado.
Fui acordado por um policial militar que secamente me informou que teria que me levar à delegacia, enquanto me algemava. Perdi dois dentes e a liberdade....
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
sábado, 18 de agosto de 2012
Escrito no (Madrugada) bar
A
Todos parecem se preocupar
tanto em não estar
sozinhos
Eu tento me
Importar
com isso o máximo
que eu posso
Mas às vezes, acho
que não quero
ter ninguém
Eu queria mesmo era ter todas elas
ao mesmo tempo
mas isso não tem
nada a ver comigo.
Eu posso me
importar
O máximo que eu tento
Mas só tentar nunca
é suficiente
É por isso que
eu decepciono
essas meninas iludidas
que acham que
eu sou
algo que vale a
(Que) pena tentar...
B
"eu me odeio"
"I hate myself"
"eu me odeio, me odeio,
me odeio, me odeio"
Essas palavras ecoam
aqui dentro
do Crânio
Quando eu lembro
das coisas pequenas
que fiz antes
E encontro sei lá
quantos motivos
pra ter vergonha
de mim mesmo
É algo que já
fugiu
Do meu controle
É cíclico e insistente
A auto-depreciação
é um vício que eu
não consigo mais
carregar
E é uma dependência
Química
Foda de largar.
O perfeccionismo
Predatório
Me faz exigir demais
de muito o que faço
My self won't let me be
Myself.
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Um sentimento que não é forçado
O que mais me impressiona na Música: Apesar de parecer um presente divino, é apenas humano...
sábado, 11 de agosto de 2012
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