quarta-feira, 25 de março de 2009

Perdão

Faz mais de uma semana que estou prometendo a parte 3 da história lá, e mais dois contos estranhos. Se alguém realmente faz questão disso: Meus humildes perdões.

Desanimado é uma boa palavra pra me definir agora. Simplesmente não dá. Eu sou um péssimo escritor e me sinto mal por causa disso, quando não deveria. Se eu escrevo qualquer coisa aqui, não é pra me glorificar quanto aos meus grandiosos talentos, que todos com certeza invejam tanto. Mas não sei porque, eu me sinto mal.

Se até semana que vem não vier nada novo, este blog vai morrer de novo por tempo indefinido.

Abraços.

domingo, 22 de março de 2009

Acha que canta

Música original: http://www.youtube.com/watch?v=cqqGm4ecOo4

O vídeo a seguir é uma tentativa frustrada de cantar e tocar a música Max, Jill Called da banda The Bicycle Thief.

Antes disso, gostaria de falar um pouco sobre essa banda.

Ela é bem desconhecida, eu meio que descobri por acidente. Acontece que eles têm algumas relações com Red Hot Chili Peppers. Josh Klinghoffer, o guitarrista, é um grande amigo de John Frusciante, e já participou de muitos de seus cd's solo, além de ter tocado guitarra-base em alguns shows da turnê do Stadium Arcadium. E o vocalista, Bob Forrest, era de uma banda bem mais conhecida chamada Thelonious Monster (da qual John Frusciante quase participou, se não fosse aceitado nos Peppers), além de um amigo de loooonga data de Flea e Anthony Kiedis.
Eles lançaram apenas um cd há alguns anos atrás, chamado You Come And Go Like A Pop Song e já encerraram suas atividades. Meses atrás eu baixei esse cd e gostei muito. É viciante.

Esse é o vídeo:




(sofrível)

Now play it and sing along!

Max, Jill Called

D Em G
I woke up this morning Feeling pretty good
D Em G
And pretty good Is really good for me
D Em G
Had some cigarettes and coffee And some CNN
D Em G
And the buses run down Sunset just for me
D Em G
yeah The buses run down Sunset Today for free



Chorus:


D Em
And the earth is round and the earth is flat
G D
Well I just don't seem To care about that
D Em
Or a perfect life Fortune and fame
G D
A model wife It don't mean a thing
D Em
I know this and I know that
G D
All of it don't seem to Matter that much
D Em
'Cause it's ashes to ashes And dust to dust
G D
The rich and the wise Die the same as us yeah

Verse:


D Em G
So many things used to Mean so much to me
D Em G
But now I just can't Remember what they are
D Em G
The telephone is ringing But it's not for me
D Em G
Gotta remember to Write a note Max Jill called
D Em G
yeah Gotta learn to be considerate

Chorus:
D Em
And the earth is round and the earth is flat
G D
Well I just don't seem To care about that
D Em
Or a perfect life Fortune and fame
G D
A model wife It don't mean a thing
D Em
I know this and I know that
G D
All of it don't seem to Matter that much
D Em
'Cause it's ashes to ashes And dust to dust
G D
The rich and the wise Die the same as us yeah

D Em G
Through the Shame and horror And drudgery
D Em G
Well it is still a beautiful world
D Em G
Be careful and try your best To live happy
D Em G
That is what a I read On the bathroom wall
D Em G
yeah that is what is said On the bathroom wall

Chorus:
D Em
And the earth is round and the earth is flat
G D
Well I just don't seem To care about that
D Em
Or a perfect life Fortune and fame
G D
A model wife It don't mean a thing
D Em
I know this and I know that
G D
All of it don't seem to Matter that much
D Em
'Cause it's ashes to ashes And dust to dust
G D
And something round here just never ends up no...

oh no, oh no no
just never ends up no
just never ends up

D / Em / G / D

just never ends up
just never ends up
D/ Em/ G / D / D

quinta-feira, 19 de março de 2009

Poesia sem título n°2

Nos olhos de ninguém
Eu tenho perdão
Meu desperdício vai além
Do tempo gasto
De um mundo em vão

Nos braços de alguém
Eu não teria razão
Não seria necessário ninguém
Julgar metódicamente o mundo
Seria em vão

Em vão, em vão
Sem razão
Nos braços de alguém
Não haveria razão em ter razão
E assim ser deveria!
O mundo não é difícil aos olhos de um cão

E outro mundo não seria impossível
Se você me desse sua mão
Não, nunca morreríamos!
E à noite dançaríamos
Nas galáxias, então

Não seríamos muito mais
Do que luz e cor
Não haveria de ter
Qualquer desgosto ou dor

Mas, longe de ser curado,
Fora do alcance da tua mão,
Sozinho canto um triste fado
Culpa da razão.

domingo, 15 de março de 2009

poesia sem título nº 1

Há um sorriso na janela
Minha mente está despida
Minha mente não é mais aquela

Três ou quatro dias
Se passam como um
Eu me estagnei por dentro
Como o nada, me tornei nenhum

Trevas, luz eu sou
meu brado não ecoa
Minha vontade abandonou
A palavra que em mim soa

E ainda assim
O teu sorriso
Na minha janela
O que você quer?
Destrancar a minha cela?

Por favor...

quarta-feira, 11 de março de 2009

Contos Estranhos (parte 2)

________________ Aquele que se levanta ________________



Era uma sala de aula. Uma sala espaçosa e cinzenta, onde todos estavam alinhadamente sentados nas carteiras. O quadro de giz lotava-se de termos e mais termos científicos, sobre os quais a professora comentava, e firmava a relevância sobre tal e tal assunto de quando em quando. Ele estava sentado na frente, mas não se importava com nada disso. Sua mente passeava do lado de fora da sala.

Os sons discretos de uma sala cheia de pessoas, fazendo anotações e qualquer outra coisa que alunos fazem quando estão assistindo uma aula calmamente, somado à voz confortante da professora tinham um efeito hipnótico.

"Há todo um mundo lá fora. Eu nunca vou muito além da minha casa, mas eu sei que há muita coisa lá fora. Eu simplesmente sei. Isso aqui é necessário? Eu preciso mesmo ter sucesso acadêmico, sair daqui quatro anos mais tarde, com um diploma? Um diploma é só papel. Dinheiro é só papel. Dinheiro vale tanto quanto um poema. É papel e tinta. Mas todos acreditam que precisamos trocar papel e tinta por comida, roupa, moradia. E a maioria aqui nessa sala, troca seu papel e tinta por coisas inúteis. Comida mais gostosa, roupa mais bonita, moradia mais luxuosa. Estão todos cegos. Eu estou cego. E preciso de um diploma para ter papel e tinta o suficiente para compensar a minha cegueira."

Por um instante, a professora olhou nos olhos dele. Ele entendeu que seus devaneios deveriam ser mais discretos e, por educação, melhorou a postura. Ela continuou falando, continuou a hipnotizar o rapaz.

"Pelo menos ela tem uma voz bonita."

"Pensando bem, ela é bonita."

E com esta, deu razão a muitos de seus colegas. A professora era jovem. Tinha a pele de uma cor saudável, um cabelo longo, ondulado e brilhante e era esguia, esbelta.

"Todos falam que é ela tudo aquilo e tudo o mais. Mas nenhum deles teria coragem de dar em cima dela. Eu não teria. Não pode. Ela é a professora, a mestra, aquela que sabe mais e é humilde o bastante para dividir esse conhecimento com a gente. Um aluno beijar ela seria um crime. Um tabu."

"Além do que, ela deve ter alguém."

Ele fixou o olhar nas mãos dela. Nada na mão esquerda, na direita, apenas um toco de giz. Nenhum anel, nada.

"As pessoas usam anéis de compromisso pelo mesmo motivo que colocam 'namorando' no orkut. Seu amor é correspondido e você vira um idiota. Compra um anel bonito e dá a ela porque não tem coragem de gritar bem alto 'TÔ NAMORANDO!', mas quer que todo mundo saiba. Isso é bom. Nos dias de hoje demonstrações de afeto estão rareando. Ninguém olha nos olhos de um amigo e diz 'eu te amo' com sinceridade, todos os dias. Duvido que alguém dê flores à mãe e um abraço apertado, simplesmente por que lhe ocorreu a idéia, ou dê um sorriso a um estranho na rua, depois de desejar um bom dia. Talvez todos nós temos vontade de fazer essas coisas, mas medo de ser considerados loucos. Aí começamos a namorar para descarregar todo o amor guardado, sufocado, dentro de nós, em uma única pessoa."

Ele fixou o olhar na professora e teve um instante de clareza.

Se levantou delicadamente e andou passos calmos, parando a menos de dois palmos dela.

Ela se surpreendeu e fez uma cara de desconfiança. Ele devia estar com algum problema e ia pedir permissão para se retirar da sala, ou coisa do tipo.

- O que foi? - preocupou-se

Ele coloca as mãos na cintura da professora e aproxima o seu rosto do dela. Os lábios se tocam e ele a beija. Ela tenta empurrá-lo, pressionando o peito dele com as mãos, mas ele a puxa contra ele pela cintura. Ela tenta inclinar a cabeça para trás, mas ele inclina a sua para frente e continua a beijar-la com gosto. Ela instintivamente o dá um empurrão forte e um sonoro tapa no rosto, quebrando o silêncio mortal da sala, que assistia tudo boquiaberta.

Surpresa, desequilibrada, corada e ofegante, a professora se afasta, não conseguindo pronunciar uma palavra. Ele se dirige até a porta e a abre.

E na iminência d'ela gritar alguma reclamação óbvia, ele fala com uma forte convicção:

- Eu te amo. Me processa.


Algumas horas depois, nesse mesmo dia, ela prestou queixa na polícia contra ele. Abuso e danos morais.

Mas nesse exato momento, ele já estava longe, muito longe de casa.

terça-feira, 10 de março de 2009

Mais um garoto, mais uma história (parte 2)

A partir da relação Lucas - Lyna, uma coisa apaixonada, devotada ou até mesmo chegando ao nível do "fofo", se me permite dizer, poderia-se concluir que esta se trata de uma bela história de amor.
Há! Olha pra minha cara e me diz se eu pareço com alguém que escreve historinha de amor mela-cueca:

Pois é.
Não que as coisas vão mudar muito de rumo agora, mas esse é o plano.
E digo-lhes, vocês vão se decepcionar com a parte 2. Se não fosse por uma cena em especial, isso aqui ia ser pura encheção de lingüiça.
Tá, nem tanto. Mas talvez vocês achem essa aqui mais curtinha, porquê só tem um capítulo. Eu IA colocar mais um, só que se eu fosse escrever tudo o que eu queria escrever na capítulo 4, nessa parte, ia ficar um monstro de umas 13 páginas. Mas o problema maior é que a narrativa tá corrida, incompleta. Eu odeio isso. Odeio, odeio, odeio. Mas minha preguiça de reescrever é maior.

Sem mais delongas.

Capítulo 3 - O chaveiro de ursinho e o conversível do pirata.

Lucas era confuso, estabanado e nunca levou jeito com garotas. Até mesmo uma simples amizade podia ser um desafio. Agora, chegar e falar “Oi, você deixou sei chaveiro cair no pátio, na hora do recreio” é bem simples, claro.
Bem, não pra ele.

As portas das salas já iam ser fechadas para os horários seguintes terem início, mas Lucas ainda estava parado mirando o chaveiro em suas mãos. Pelas dimensões da chave, aquilo muito provavelmente abria um dos armários da escola. Sem dúvida, era um pertence de muita importância para um aluno.
- o Lucas ficou.
Rique virou-se pra trás e viu Lucas na mesma pose que estava há quase um minuto completo.
- Olha só aquele mané. EI! LUCAS! VAMO! – Rique berrou.
Se dando conta de onde estava e o que deveria fazer, Lucas correu até a sala de aula.

E cerca de duas horas depois, os alunos deixavam a escola.
- Qualé a bronca, mano? É só devolver o chaveiro pra ela! – protestou Rique enquanto cruzavam as portas da frente, para o pátio do colégio.
- Olha, mas...
- Ah! Eu já saqueeei... – riu Gus – Você é bem safado, hein, Lucas?Olha Rique, o negócio não é simplesmente: Chegar, devolver o chaveiro, dar tchau e ir embora. Não! Ele tem que ter certeza que isso vai garantir alguma coisa! Tem que puxar um assunto boooom – gesticulava intensamente com as mãos – entende? Algo que faça eles continuar se falando por um bom tempo! Lucas, você é esperto, safado claro, mas esperto.
- Mas isso é óbvio, Gus! – desbocou Rique com desdém – Enfim, Lucas. O que você tem em mente?

Lucas olhou para os dois em silêncio, com “insegurança” escrito na testa.
- Eu sei lá. Não pensei em nada...
- Aff.
- Claro. Já era de se esperar. – Gus sentou em um dos degraus que davam para a fachada do prédio principal e abriu uma revista (“Monthly Gaming”)- Mas vê se não vai estragar com tudo! O sinal já tocou há uns cinco minutos, ela deve ta descendo.

Quase que imediatamente, Lyna se esgueira suavemente entre a multidão de alunos e sai para o pátio. Lucas, desprevenido, teria ficado apenas olhando, se não fosse por empurrão violento de Rique. Ele correu desajeitadamente em direção a ela.
- A, a-hn... Lyna!?
- Ela se vira delicadamente e o encara com os olhos azuis.
- E aí Lucas!
“Cacete! Ela sabe meu nome!”
- Fala! Quê que ‘cê quer? – ela riu.
Ele coloca a mão no bolso e tira o chaveiro com pressa, estabanado como sempre.
- É... Deixou cair – Um calor apimentado se formava no seu estômago e subia até o peito. Ele corava visivelmente.
- Putz! É mesmo! – Surpresa do jeito que estava ela nem deve ter dado por falta do chaveiro.
- Caraca, Lucas! Obrigada! Eu nem tinha percebido! Já pensou? Não poder mais abrir meu armário...
- Pois é... Tome mais cuidado.
- Ah, pode deixar! Se bem que eu sou meio cabeça de vento mesmo, hahaha.
“Você é linda, isso sim.”
Eles agora caminhavam lado a lado na direção oposta da escola. Rique e Gus observavam tudo ao mesmo tempo que surpresos, muito satisfeitos.
- Hehe, quê isso. Essas coisas acontecem.
- Né? Mas juro que altas coisas só acontecem comigo! Outro dia...

“Nossa, ela é linda mesmo. Só de ficar perto dela... E o cheiro dela é tão bom, agradável e...”

Os devaneios do menino foram abruptamente interrompidos por uma buzina escandalosa vinda da rua. Lyna olha para o lado e reconhece o vermelho vivo do impecável carro conversível que certamente chamava mais atenção do que qualquer outro por perto, com sua imponência. Dentro da máquina, um homem de cabelos castanhos e compridos, amarrados atrás, barba por fazer, uma coleção de argolas em cada orelha e uma bandana tão vermelha quanto o carro, tira seu ray-ban, revelando um rosto maduro e carismático. Ele acena para Lyna.
- Ei ruivinha!
- Já to iiindo! – a satisfação estava estampada e berrantemente colorida no rosto dela – ‘Brigada de novo, Lucas! Tchauzinho! – e entrou no carrão.

Lucas não pensou muito. Estava parado na calçada e não queria pensar muito. Mas não podia ter deixado de notar que aquele tio da Lyna era bem... exótico. E bonito também, porque não? E aquele carrão... uau. A tia da Lyna deve ser bem gostosa pra arranjar um boa-pinta como ele.

Tiago, colega de turma de Lucas, se aproxima e diz o óbvio:
- Carrão hein.
- Né.
- Deve ter um motor do cacete.
- Ô.
- E aí cara, o que você tava falando com a Lyna?
- Devolvendo uma parada que ela esqueceu... Ei, Tiago, quem é aquele cara que veio buscar ela?
- O do carrão?
- É.
- Ah, é o namorado dela.
- Namorado?
- É! Namorado! Eu também não entendi essa. Aquele cara tem bem uns trinta anos. Pedofilia descarada!
- Namorado?
- É. Tem gente que diz que ele é pirata, acredita? Que ele veio em um daqueles navios clandestinos que costumam atracar aos montes aqui nessa época no ano, por causa da Feira das Docas. E tem gente que diz que isso é só historinha. Eu mesmo acho que não acredito nisso, mas que aquele cara é suspeito, isso é.
- ...Namorado?
- É, pô. Namorado. Você não acha isso sacanagem? Uma mina tão bonitinha dando pra um tarado do pior tipo. O que ele não deve ta fazendo com ela agora? Cacete...
- Puta merda...
- Pois é. Bom, a minha mãe chegou. Falou Lucas!

Lucas parou um instante e respirou. Sentia-se o pior dos homens. Ele sempre soube que ela estava além de seu alcance. Tentar alguma coisa, ao em vez de se conformar e esquecer, foi uma tremenda burrice. Aquilo só ia gerar frustração. De todas as pessoas, porque logo ela tinha que ter um namorado? Ele não ligava o quão velho ele era, não se importava se ele era algum pirata-clandestino-pedófilo, ou o quão injusto era o fato de ele ter um carro do ano. Podia ser qualquer pessoa, em qualquer situação, mas se estivesse namorando a Lyna, já era problema o suficiente.
Nisso, Gus e Rique vinham apressados. Diferente de Lucas, eles já tinham sacado tudo na primeira olhada.
- Ei, Lucas... – Gus o chamou com calma.
- Que foi...?
- Aquele cara... – Ele arriscava, mesmo já sabendo a resposta.
- Era o namorado dela.
- Iiixx... – Rique deu sua opinião

Lucas abaixou a cabeça e fitou os pés.


Ele ia pensar e dizer alguma coisa quando: Bam. Uma batida seca.

Lucas levantou a cabeça e olhou ao seu redor. Nada de incomum na rua.

Bam, bam. Duas batidas. Pareciam vir de muito longe. Ele se virou para os dois:
- Vocês tão ouvindo isso?
Rique e Gus se entreolharam.
- Ouvindo o que?

Bam, bam, bam.

Lucas abriu os olhos. Estava em seu quarto, na cama. A música saia alta dos falantes do som. Ele se levantou correndo e abriu a porta. Sua irmã estava lá, nervosa.
- Lucas! Você disse que ia me ajudar com a louça! Onde meteu a cabeça dessa vez?
- Desculpa, desculpa! É que eu tava ouvindo...
- Eu sei, eu sei. Você tava vadiando enquanto eu cuidava de tudo! Eu já lavei quase tudo sozinha! Mas quem vai lavar o resto, enxugar e guardar vai ser VOCÊ! – disse ameaçadoramente por entre os dentes, enquanto o dava um cutucão no peito – E vai logo! – Ela deu meia volta e bateu a porta de seu quarto atrás de si.

Lucas passou as mãos no rosto num sentimento misto de raiva e “Putz, esqueci!”. Desligou o som e desceu até a cozinha.
A casa estava quieta. Já deviam ser quase nove horas. Deviam estar todos nos seus respectivos quartos vendo TV, dormindo, ou tentando fazer com que os filhos dormissem.
Descendo as escadas lentamente, Lucas lembrou do sonho que teve. O mais estranho de todos. Aquilo aconteceu de verdade, mais cedo naquele mesmo dia e ele acabara de reviver tudo nos mais perfeitos detalhes, enquanto dormia. Ele não se lembrava de qualquer uma das aulas daquele dia ter ocorrido no seu sonho, mas o resto...
- Bom... Ficar revivendo meus problemas não pode ser algo saudável. – sussurrou para a sala de estar deserta.

Passou pela porta aberta e se deparou com um problema menor. Ainda havia uma pilha de louça suja bem grande, e uma maior ainda a ser enxugada e devidamente guardada.
- É o que dá ter uma família gigantesca. Só duas pessoas não dão conta de lavar tudo isso...

Sem muita opção, Lucas se entocou na pequena cozinha amarela e pôs-se a lavar louça. A grande porta branca, à sua esquerda já estava devidamente trancada e barrada, de um modo que até mesmo por dentro, seria difícil abrir. Porém, um rosto amigo se debruçou na pequena janela ao lado da porta e bateu no vidro. Lucas não estranhou tanto aquela situação. Abriu a janela.
- Lê lê, lê lê, lê lê lê lê lê lê! Vê se limpa tudo direitinho, viu nega? – Rique se achava no direito de zombar nas piores horas.
- Que agradável surpresa você por aqui.
- E aí cara, pegando pesado aí? – E também escolhia as piores horas para ignorar o desprezo dos outros.
- De leve.
- Pô, me deixa entrar.

Lucas olhou com desprezo. Rique soltou um “Uuui!”, deu uma piscadela e mandou um beijinho. Lucas conseguiu conter o sorriso, espirrou água das mãos na cara de Rique, e foi destrancar a porta. Um pequeno estrondo depois, e ela estava aberta.
- Você tem que parar de invadir meu quintal desse jeito.
- Ah, sem crise. Ninguém vai mandar me prender não.
- Não. Mas meu bisavô ainda vai ter dar um tiro.
- Qualééé, uma hora dessas o velho tá babando.
- O que você veio fazer aqui há essa hora, afinal?

Rique tirou um panfleto colorido do bolso e o levanta à altura dos olhos de Lucas.
- A Feira das Docas desse ano vai tá do capeta, cara! A gente vai juntos, né?
- Você podia me ajudar a enxugar isso aqui.
Rique deu um sorriso agudo de desconcordância.
- Ninguém mandou você escolher a pior hora pra me visitar.

Rique não sabia escolher horas muito bem.

domingo, 8 de março de 2009

Só pra constar

Bizzar Lizzard, pseudônimo em homenagem ao glorioso Lizard King - Jim Morrison para os íntimos - deixará de ser usado a partir desta data. Assinarei agora com o nome de Dave C. que é muito mais próximo do meu nome de Batismo.

As razões são algumas. Meu blog, mesmo que em proporções desprezíveis se comparado aos grandes Blogs da atualidade, está crescendo. Juntamente com os blogs de meus amigos. E não vejo mais sentido em tentar permanecer anônimo, se justamente aqueles que aqui frequentam, são as pessoas que melhor me conhecem.

O ano 2008 teve postagem escassas e tediosas. Para esse ano, pretendo, no mínimo, quadruplicar o número de posts. E tenho dito.


Por fim, em homenagem ao falecido pseudônimo, e ao falecido Lagarto Rei, com vocês:

The Doors.


sábado, 7 de março de 2009

A Trindade

A Antologia que todos estavam esperando.

http://www.ostresdatrindade.blogspot.com


A cena da literatura-alternativa-blogueira tem aumentado - e muito - nas últimas semanas. Idéias realmente brilhantes são postadas quase todos os dias. Outras, nem tanto. Reunir o melhor do trabalho de alguns autores desse circulo social que tem se formado (e ainda vem se formando, a toda hora) é o mínimo que poderia ser feito. Dois escritores consagrados, e respeitados na cena da literatura alternativa e um recém-iniciado, de potencial muito promissor e idéias não por menos geniais, trarão seus melhores textos à tona, para que não sejam esquecidos nas areias do tempo.

Apresento-lhes, o Blog oficial d'A Trindade!


Amém.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Mais um garoto, mais uma história (parte 1)

Está inaugurado o post mais longo deste blog.
Sem mais delongas, essa é a história:


Só mais um garoto
Só mais uma história


Introdução

Bem, aqui estou eu. Entediado de novo. O que eu poderia fazer com essa caneta e essas folhas de papel? Poesia? Cansei disso quando eu me dei conta de que seria muito bom se eu entendesse meus próprios poemas. Ei, talvez eu devesse escrever uma história! Sim, uma história! Eu não posso decepcionar vocês, já que começaram a ler isso aqui por própria conta e risco, certo? Prontos? Aí vou eu.




Prólogo

Tinha um garoto que se chamava Lucas. Lucas Luca. Ele não havia completado nem quinze anos quando tudo isso ocorreu. Ah, esse Lucas... Vou te contar, ele era um desses garotos que achavam que tinham mil problemas e passava bons tempos de sua juventude divagando pelos cantos uma maneira de resolvê-los. É como dizem: Coisa da idade.

O Lucas morava nessa cidadezinha simpática chamada Gaivera. A origem do nome é tão controversa quanto às histórias que os marujos, atracados nos seus movimentados portos, sussurravam no ouvido das moças que passeiam a beira-mar. Garanto que a vida noturna lá é bem a agitada! (só não deixem a patroa saber que eu disse isso!)

Hã, er... Bem. Voltando ao garoto. Lucas morava na rua de um bairro onde as casas costumavam ser grandes e de arquitetura tradicional. Não era por menos: Havia, no local, uma antiga tradição de grandes famílias. Pais, mães, filhos, tias, avôs, bisavôs, tios, noras, genros, todas as raças de primos... Tudo embaixo do mesmo teto. Uma beleza! Não é preciso citar que todo jantar, era em família.

E lá estava o tal garoto, sentado entre a irmã e o priminho pentelho, encarando a sopa de feijão.
- Vovó, me serve mais um pouco de arroz?
- Que carne dura...
- Jonas, coma suas verduras!
- Manhêêê, o Ricardinho ta jogando sal no meu cabelo!
- Repete se tu for homem, seu moleque abusado!
- Marco! Largue o pescoço do seu primo!
- Esses jovens de hoje em dia andam muito indisciplinados! No tempo da guerra, quando os americanos ainda andavam soltos por aí...
- Ai, Gernásio! Lá vem você com essas histórias de guerra!
- Arre - égua, mulhé! Tu nunca me deixas terminar de falar!
- Pai, compra um Ipod?

Entre o tilintar dos talheres e todas as outras vozes, Lucas ouvia ao longe todas essas conversas cruzadas.
- Seria bom ter um jantar silencioso de vez em quando. – murmurou.
- Ê, Lucas-zinho, o que você ta resmungando aí? – Perguntou a irmã, usando o apelido que costumava usar quando queria ser chata.
- Nada. Eu já acabei. - Disse enquanto retirava o seu prato e talheres da mesa para depositá-los na pia da cozinha. A irmã vinha logo atrás.
- Seja lá o que você for fazer, não demore! Hoje você tem que me ajudar com a louça! – lembrou-o.
- Ok, ok...

Lucas subiu a escada comprida na lateral da sala de estar e foi até o fim do corredor, entrando na porta da direita. Seu quarto. Seu calmo e aconchegante refúgio. Ta certo que esse lugar costuma ser muito mais animado quando o Marco, seu irmãozão está por perto, bem frequentemente, já que também é o quarto dele.
Falando nele:
- E aí, maninho! – O rapaz de cabelos ruivos e encaracolados entra no recinto.
- E aí, primo.

Ah, sim. Marco é só mais um primo de Lucas. Mas um primo tão íntimo e compreensível que os dois se tratam como irmãos mesmo.
- Ta de bobeira aí?
- Só ouvindo umas músicas – comentou Lucas enquanto encaixava um CD no som.
Marco se trancou no banheiro e ligou o chuveiro bem forte, como de costume. Enquanto isso, Lucas se distraía profundamente com a música, enquanto olhava a Lua, que se posicionava convenientemente na janelinha redonda bem no alto da parede. E começou a pensar, como sempre. E é nesse ponto que vamos nos desatar desses acontecimentos mundanos e nos concentrar na pessoa. Quem é Lucas?






Capítulo 1 - Só mais um garoto, só mais uma história. Ao menos ele tem uma história.

Lucas. Você já ouviu bastante esse nome. E vai continuar ouvindo.
Nascido em uma manhã de janeiro, o Lucas-zinho não teve uma infância muito diferente das outras crianças em seu bairro. Tirando o fato de que ele era o mais novinho, o mais baixinho, o mais fraquinho, o mais ingênuozinho, e – dizem as más línguas – o mais fresquinho da gangue de garotos com quem ele costumava brincar pelas ruas, ele sempre foi um moleque como outro qualquer. Correndo por aí, fazendo baderna, arrumando confusão e só se preocupando em brincar e se divertir bastante antes da mamãe chamar pra tomar banho. De manhã: Escola; De tarde: Rua. Nem por isso sua infância deixou de ser saudável, pelo contrário.

O tempo, porém, que além de ser apressadinho é um folgado, começou a mudar tudo. Já mais crescidos, quase adolescentes (e os mais velhos já quase no auge da adolescência), começaram a se encontrar com uma freqüência bem menor. Muitos deles tinham se mudado de lá, saído das casas das grandes famílias para morar com os pais em outro bairro qualquer. Já outros, tinham arranjado outras turmas, mais de acordo com seus interesses juvenis. Pouquíssimos permaneceram amigos de verdade, a maioria se tornou apenas velhos conhecidos.

E Lucas se tornou o Lucas. Um jovem rapaz de olhos e cabelos muito pretos, um rosto ligeiramente angular, um penteado nada cabeludo ou rebelde, mas deveras indeciso para um cabelo curto. Magro, semi-atlético-mais-ou-menos e uma estatura bem razoável se comparado aos outros garotos da sua idade.

É tímido, introspectivo e meio cabeça-de-vento às vezes, mas é bem seguro quanto às suas decisões. A não ser quando se depara com uma menina um pouquinho mais bonita que as outras. Ele se torna um completo idiota e passa dias, semanas ou até (nos casos extremamente graves) meses envolto em sua própria bolha cor-de-rosa de fantasias mágicas. E é exatamente nesse ponto que se encaixa Lyna Häagen.

Cabelos ruivos longos e brilhantes, olhos azuis, pernas longas e aparentemente macias e medidas que atraem dos garotos mais novos até os bem mais velhos! Deus disse: “Que se faça uma jovem, não só gostosa, mas estupidamente linda de babar!” E Lyna desceu dos céus ao pátio de escola, fazendo todos os meninos cair em pecado.

Descendente direta de alemães, Lyna fala com um sotaque suave; quase imperceptível, culpa de uma longa temporada vivendo no país de seus pais. Estando encarnada naquele corpo, porém, qualquer coisinha é motivo de bajulação por parte de muitos no colégio.

É a coisa mais óbvia que a bolha cor-de-rosa de Lucas nunca esteve tão inflada. E é também a coisa mais óbvia que Lyna não morre de amores por ele. Pois se fosse assim, seria muito simples resumir uma grande parte dessa história em poucas linhas daqui em diante, mas não vou me dar o luxo!

Lucas a considera intangível, acima de seu alcance. Ele não passa de um tolo vassalo que idolatra uma donzela que nem sabe de sua existência. O palerma passa o tempo todo imaginando coisas desse tipo que nem imagina que ela não só sabe de sua existência, como o acha “engraçadinho”. Claro que só isso não basta para alguém tão patetamente apaixonado. Além do que, a concorrência é violentíssima. Mas ela é uma menina de família e sabe que não deve sair se envolvendo com qualquer um. Isso enlouquece os babões de plantão.

Lyna Häagen é bem popular no ambiente escolar; sem esforço nenhum. Lucas Luca, por outro lado, mais parece um figurante circulando pelos cenários da peça. Seria mentira dizer que ele é o esquisitão-sem-amigos, pois ele tem uma vida social deveras saudável. Só não é muito de ficar andando por aí em grandes grupos.

Apesar de todas as outras pessoas que se relaciona, Lucas tem dois bons amigos que sempre faz questão de acompanhar: Ricardo Baltazar III e Gustavo Garra Luís; ou Rique e Gus, como são mais conhecidos.

Rique, apesar do nome aristocrático, não tem origens muito mais nobres do que a família de Lucas. E inclusive, mora no mesmo bairro. Ligeiramente mais alto e mais encorpado do que muitos da sua idade, já bancou o guarda-costas do trio muitas vezes, especialmente contra os filinhos-de-papai que adoram uma confusão gratuita. Sua atitude elétrica e brincalhona o faz, regularmente, bancar o espertalhão. Nesse quesito, Ricardo lembra muito o “primo-irmãozão” de Lucas. Cabelos e olhos castanhos; pele naturalmente bronzeada, o mais bonitão dos três (ou seria o menos esquisito?)

Gus é o típico nerd de computador, viciado em RPG e videogames. Sendo também leitor exemplar, adora pesquisar sobre idéias mirabolantes, teorias da conspiração, intrigas da oposição e mais um monte de coisas, na maioria absurdas, das quais só ele ouviu falar. Bem menos tímido do que aparentemente deveria ser, Gustavo não perde tempo pra sair fazendo piada sobre as mais diversas situações (ainda que um tanto infames). Sua aparência é a mais típica esperada de um nerd, até os óculos de graus exorbitantes estão lá. No entanto, a cabeleira loira e desarrumada que se estende até a altura do queixo, o dá um ar menos certinho e mais escrachado.
Essa era sua "tchurma".


Capítulo 2 - Escola, jovem escola.


Um dia nessa escola seria mais ou menos assim:

Subindo a escadaria de concreto em frente ao prédio principal, o garoto avista uma multidão de pessoas vestindo azul e branco no pátio do colégio. Duas figuras de distinguem da multidão e vêm falar.
- Fala Lucas! – diz Rique com um sorriso.
- Olha só quem quase se atrasa! – Gus, sempre de bom humor.
- Pois é. Meu relógio parou. Quantos minutos faltam pro sinal?
- O suficiente pra aproveitar a vista! – Rique inclinou a cabeça para um grupo de garotas com um olhar malicioso.
- Ho ho hooow! – Gus animou-se, fez um gesto e ajeitou os óculos ao reconhecer as garotas.
- Rapaz... – Lucas admirava com certa hesitação.


Um sino nervoso ecoou pegando muito de surpresa. As portas foram abertas e o pátio rapidamente evacuado.

Ao terminar de subir um grande lance de escadas, se apertando entre vários alunos, os três chegam a um corredor largo, onde funcionários circulavam destrancando as portas das salas de aula e acendendo as luzes. Nos vários espaços entre as portas de uma sala e outra, havia muitos armários internos de madeira.
- Espera aí! Preciso passar no meu armário. – Alertou Gus tirando um chaveiro esquisito do bolso com várias chaves diferentes.
- Pra quê tanta chave, homem? – Estranhou Rique
- Sou um homem cheio de segredos, preciso manter muitas coisas trancadas... – Gus deu um sorriso maroto.
- Ahã...
- E esse seu armário aí? Número 666?! – Perguntou Lucas enquanto analisava com os dedos a plaqueta metálica de identificação no centro da porta.
- Estiloso né? Nem te conto o que eu fiz pra conseguir ele... AH! Merda! – Um amontoado de livros, cadernos e várias folhas de anotações despencaram do armário assim que Gus o abriu, e se acabaram no chão no maior estardalhaço.
- Caraca, que bagunça! – admirou-se Lucas.
- Falou o senhor organização! – Gus respondeu debochando.
- Eu ser desorganizado até que vai. Mas um nerd como você?
- É! Você traiu o movimento Big Bang Theory, véio! – Rique deu dois tapinhas nas costas de Gus e gargalhou com Lucas. Gus, por sua vez, estava muito ocupado fazendo pressão contra o conteúdo do armário, para que ele se acomodasse de qualquer jeito.

Um segundo sinal tocou. Assim como a grande multidão, os três encontraram sua sala e entraram.
- Rapazes! Tiramos a sorte grande! Olha só quanta gostosa! – Rique se animava apoiado nos ombros dos dois amigos.
- Ai, ai... Nada se compara ao time de vôlei do ensino médio, mas já dá pra se contentar. – suspirou Gus.
- Com essa mentalidade, você vai ser BV pra sempre. – brincou Lucas.
- Eu não sou BV imbecil!
- Caaaaalma, Guzzi! Não fica nervosinho! Mas aquela história com sua prima ainda precisa de confirmação! – Lucas cutucou Gus com o cotovelo e riu da própria piada.
- Vocês tão todos gozadinhos hoje...
- Qualé, Lucas? Tu também não pega ninguém! – alertou Rique dando um empurrãozinho em Lucas.
- Pergunta isso pra sua mãe, então.
- Ah, é pra colocar a mãe no meio, é? Fela da pu...
- SILÊNCIO! Eu já estou em sala e quero silêncio absoluto!

Um homem gordo e seu jaleco branco entraram na sala. Os óculos retangulares de armação grossa e os cabelos que rareavam no topo da cabeça o davam um ar de idade, mas ele mal tinha chegado aos trinta.
Assim que subiu no pequeno palanque em frente ao quadro negro e o bateu com moderada violência, fazendo um estrondo firme e pó de giz reverberar ao seu redor, todos se aquietaram em seus lugares.
- Meu nome é Jonas, e serei seu professor de ciências sociais nesse ano que se inicia...
A aula seguiu monotonamente, bem como os dois horários seguintes. Quando a turma mais esperava, o sinal tocou.
- Ha ha ha... aquele professor de química é doidão!
- E o de matemática? Parece uma múmia.
- Vamo lá na cantina comigo?

Comentários entusiasmados não faltavam, mas Lucas já tinha tirado suas próprias conclusões; e agora relaxava respirando o leve ar matinal na parte aberta do pátio interno. Gus viu o amigo solitário, como de costume e foi fazer companhia.
- Ei, Lucas.
- Fala.
- Cara, você não achou sacanagem o professor de matemática me trocar de lugar só porque eu virei e fiz um comentário? Como se eu fosse o único conversando. Eu juro que...

Gus falou e falou. Mas nada parecia surpreender muito Lucas. Na verdade, nada que ele dissesse ia conseguir chamar sua atenção a ponto de sequer entender as palavras que aquele ser mundano inconvenientemente na sua frente discursava com tanta convicção. Nenhum fonema conseguia abalar suficientemente os tímpanos de Lucas. Uma enorme bolha cor-de-rosa o envolvia e o amortecia de qualquer ruído externo inconveniente.

Por pouco mais de um segundo, os olhares de Lucas e Lyna se cruzaram novamente; e o coitado se entregou por completo. O fluxo do tempo se alterou e tudo que não era relevante aos olhos, simplesmente perdia o foco e o movimento. Cada fração de segundo se tornava em doces eternidades, em que a única razão para o conceito de existência, era admirar aquele sorriso. Um sorriso de aparência tão pura poderia ser facilmente confundido com o de um anjo, ou outra criatura mítica à altura. Nada mais faria sentido se naquele momento, ele não respirasse fundo, estofasse o peito e começasse sua caminhada; caminhada essa para segurar a mão dela e dizer:
-CARALHO LUCAS! Presta atenção!

Lucas acordou subitamente para ver que não só Gus se encontrava a sua frente, despenteado e levemente nervoso, como Rique também estava lá, segurando o riso numa expressão marota.
- Ó-lha só, quem ain-da ta apaixonado pela prince-zinha de cabelos ruivos! – Rique zombava quase cantando e fazia gestos afeminados, num enorme gosto.
- Qualé, Luca. – fez uma pausa, ajeitou os óculos e prosseguiu. – Você mesmo já reconheceu que essa garota não serve. Ela é perfeita demais. Um alvo fácil pros boyzinhos de academia e afins. Você mesmo disse!
- Pô meu, assim você vai traumatizar o moleque! Ele é meio “prá-dentro” e tal, mas nada que um pequeno impulso não resolva!

Lucas suspirou.

- Bem, vocês sabem que... – Ele nem terminou de falar e já estava sendo arrastado pelo antebraço na direção de Lyna e seu grupo de amigas, por Rique.

- Você enlouqueceu!?
- Se você não consegue vencer sua timidez, alguém vai ter que fazer por você! – Retrucou o seu captor, entusiasmado.

Mas antes que ele pudesse gritar “Ei Lyna” ou algo assim, o sino histérico pegou todo mundo de surpresa de novo, marcando o final do intervalo; e as garotas se retiraram rapidamente na direção oposta.
- Ah, que azar. Reclamou Rique, desapontado.

Nisso, ele notou que algo reluzia no concreto fino do pátio interno, bem próximo aos seus pés. Um chaveiro de ursinho. Nas costas do bicho, uma caligrafia carinhosa dizia: “Lyna”.
Rique cata o chaveiro do chão e o bate contra o peito de Lucas com a mão cerrada.
- Aí, garanhão – uma piscadela cômica – agora você tem um motivo pra ir falar com ela.

domingo, 1 de março de 2009

Cabelo, viagem e historinha

Cabelo.

O veredito final:

Eu não vou cortar essa porra.

Não agora, não por um bom tempo.

É, é. Eu sei, eu sei. Pode me abraçar e me beijar agora. Mas sem viadagem.


Dentro de uma hora e meia, mais ou menos, eu vou tá entrando no avião. Há uma semana, eu tava visitando minha terra natal, mas agora é hora de voltar prá Base de Operações. E lá, eu vou dar continuidade à Parte 2 da "coisinha bem simples" que eu tava planejando postar aqui em capítulos. Eu prometi que só ia começar a postar assim que tudo estivesse concluido, mas depois que eu vi que eu funciono à passos de um híbrido de jabuti com Sistema Judiciário Brasileiro, eu resolvi trabalhar da seguinte maneira:

Eu vou rabiscar no papel uma série de parágrafos sobre um determinado assunto da história, os quais eu vou chamar de "partes". E essas mesmas partes vão ser postadas periodicamente aqui. Por um motivo de organização, quando eu for passar pro computador, eu vou dividir essas partes em capítulos, logo, em cada post aqui, haverá uns dois ou três capítulos.

Eu vou fazer assim, porque eu nunca escrevi nada que preste e eu não sei escrever na forma convencional que a Academia manda. Na verdade eu cago pra isso. Eu sou mal.

Também vou fazer assim, porque, como já disse, eu escrevo lentamente pra dédéu. Como esse blog, de agora em diante, vai se basear nas postagens dessa história, eu não quero deixar meus queridinhos esperando semanas. Como de costume.



Abraços e me desejem um bom vôo.