Sem mais delongas, essa é a história:
Só mais um garoto
Só mais uma história
Introdução
Bem, aqui estou eu. Entediado de novo. O que eu poderia fazer com essa caneta e essas folhas de papel? Poesia? Cansei disso quando eu me dei conta de que seria muito bom se eu entendesse meus próprios poemas. Ei, talvez eu devesse escrever uma história! Sim, uma história! Eu não posso decepcionar vocês, já que começaram a ler isso aqui por própria conta e risco, certo? Prontos? Aí vou eu.
Prólogo
Tinha um garoto que se chamava Lucas. Lucas Luca. Ele não havia completado nem quinze anos quando tudo isso ocorreu. Ah, esse Lucas... Vou te contar, ele era um desses garotos que achavam que tinham mil problemas e passava bons tempos de sua juventude divagando pelos cantos uma maneira de resolvê-los. É como dizem: Coisa da idade.
O Lucas morava nessa cidadezinha simpática chamada Gaivera. A origem do nome é tão controversa quanto às histórias que os marujos, atracados nos seus movimentados portos, sussurravam no ouvido das moças que passeiam a beira-mar. Garanto que a vida noturna lá é bem a agitada! (só não deixem a patroa saber que eu disse isso!)
Hã, er... Bem. Voltando ao garoto. Lucas morava na rua de um bairro onde as casas costumavam ser grandes e de arquitetura tradicional. Não era por menos: Havia, no local, uma antiga tradição de grandes famílias. Pais, mães, filhos, tias, avôs, bisavôs, tios, noras, genros, todas as raças de primos... Tudo embaixo do mesmo teto. Uma beleza! Não é preciso citar que todo jantar, era em família.
E lá estava o tal garoto, sentado entre a irmã e o priminho pentelho, encarando a sopa de feijão.
- Vovó, me serve mais um pouco de arroz?
- Que carne dura...
- Jonas, coma suas verduras!
- Manhêêê, o Ricardinho ta jogando sal no meu cabelo!
- Repete se tu for homem, seu moleque abusado!
- Marco! Largue o pescoço do seu primo!
- Esses jovens de hoje em dia andam muito indisciplinados! No tempo da guerra, quando os americanos ainda andavam soltos por aí...
- Ai, Gernásio! Lá vem você com essas histórias de guerra!
- Arre - égua, mulhé! Tu nunca me deixas terminar de falar!
- Pai, compra um Ipod?
Entre o tilintar dos talheres e todas as outras vozes, Lucas ouvia ao longe todas essas conversas cruzadas.
- Seria bom ter um jantar silencioso de vez em quando. – murmurou.
- Ê, Lucas-zinho, o que você ta resmungando aí? – Perguntou a irmã, usando o apelido que costumava usar quando queria ser chata.
- Nada. Eu já acabei. - Disse enquanto retirava o seu prato e talheres da mesa para depositá-los na pia da cozinha. A irmã vinha logo atrás.
- Seja lá o que você for fazer, não demore! Hoje você tem que me ajudar com a louça! – lembrou-o.
- Ok, ok...
Lucas subiu a escada comprida na lateral da sala de estar e foi até o fim do corredor, entrando na porta da direita. Seu quarto. Seu calmo e aconchegante refúgio. Ta certo que esse lugar costuma ser muito mais animado quando o Marco, seu irmãozão está por perto, bem frequentemente, já que também é o quarto dele.
Falando nele:
- E aí, maninho! – O rapaz de cabelos ruivos e encaracolados entra no recinto.
- E aí, primo.
Ah, sim. Marco é só mais um primo de Lucas. Mas um primo tão íntimo e compreensível que os dois se tratam como irmãos mesmo.
- Ta de bobeira aí?
- Só ouvindo umas músicas – comentou Lucas enquanto encaixava um CD no som.
Marco se trancou no banheiro e ligou o chuveiro bem forte, como de costume. Enquanto isso, Lucas se distraía profundamente com a música, enquanto olhava a Lua, que se posicionava convenientemente na janelinha redonda bem no alto da parede. E começou a pensar, como sempre. E é nesse ponto que vamos nos desatar desses acontecimentos mundanos e nos concentrar na pessoa. Quem é Lucas?
Capítulo 1 - Só mais um garoto, só mais uma história. Ao menos ele tem uma história.
Lucas. Você já ouviu bastante esse nome. E vai continuar ouvindo.
Nascido em uma manhã de janeiro, o Lucas-zinho não teve uma infância muito diferente das outras crianças em seu bairro. Tirando o fato de que ele era o mais novinho, o mais baixinho, o mais fraquinho, o mais ingênuozinho, e – dizem as más línguas – o mais fresquinho da gangue de garotos com quem ele costumava brincar pelas ruas, ele sempre foi um moleque como outro qualquer. Correndo por aí, fazendo baderna, arrumando confusão e só se preocupando em brincar e se divertir bastante antes da mamãe chamar pra tomar banho. De manhã: Escola; De tarde: Rua. Nem por isso sua infância deixou de ser saudável, pelo contrário.
O tempo, porém, que além de ser apressadinho é um folgado, começou a mudar tudo. Já mais crescidos, quase adolescentes (e os mais velhos já quase no auge da adolescência), começaram a se encontrar com uma freqüência bem menor. Muitos deles tinham se mudado de lá, saído das casas das grandes famílias para morar com os pais em outro bairro qualquer. Já outros, tinham arranjado outras turmas, mais de acordo com seus interesses juvenis. Pouquíssimos permaneceram amigos de verdade, a maioria se tornou apenas velhos conhecidos.
E Lucas se tornou o Lucas. Um jovem rapaz de olhos e cabelos muito pretos, um rosto ligeiramente angular, um penteado nada cabeludo ou rebelde, mas deveras indeciso para um cabelo curto. Magro, semi-atlético-mais-ou-menos e uma estatura bem razoável se comparado aos outros garotos da sua idade.
É tímido, introspectivo e meio cabeça-de-vento às vezes, mas é bem seguro quanto às suas decisões. A não ser quando se depara com uma menina um pouquinho mais bonita que as outras. Ele se torna um completo idiota e passa dias, semanas ou até (nos casos extremamente graves) meses envolto em sua própria bolha cor-de-rosa de fantasias mágicas. E é exatamente nesse ponto que se encaixa Lyna Häagen.
Cabelos ruivos longos e brilhantes, olhos azuis, pernas longas e aparentemente macias e medidas que atraem dos garotos mais novos até os bem mais velhos! Deus disse: “Que se faça uma jovem, não só gostosa, mas estupidamente linda de babar!” E Lyna desceu dos céus ao pátio de escola, fazendo todos os meninos cair em pecado.
Descendente direta de alemães, Lyna fala com um sotaque suave; quase imperceptível, culpa de uma longa temporada vivendo no país de seus pais. Estando encarnada naquele corpo, porém, qualquer coisinha é motivo de bajulação por parte de muitos no colégio.
É a coisa mais óbvia que a bolha cor-de-rosa de Lucas nunca esteve tão inflada. E é também a coisa mais óbvia que Lyna não morre de amores por ele. Pois se fosse assim, seria muito simples resumir uma grande parte dessa história em poucas linhas daqui em diante, mas não vou me dar o luxo!
Lucas a considera intangível, acima de seu alcance. Ele não passa de um tolo vassalo que idolatra uma donzela que nem sabe de sua existência. O palerma passa o tempo todo imaginando coisas desse tipo que nem imagina que ela não só sabe de sua existência, como o acha “engraçadinho”. Claro que só isso não basta para alguém tão patetamente apaixonado. Além do que, a concorrência é violentíssima. Mas ela é uma menina de família e sabe que não deve sair se envolvendo com qualquer um. Isso enlouquece os babões de plantão.
Lyna Häagen é bem popular no ambiente escolar; sem esforço nenhum. Lucas Luca, por outro lado, mais parece um figurante circulando pelos cenários da peça. Seria mentira dizer que ele é o esquisitão-sem-amigos, pois ele tem uma vida social deveras saudável. Só não é muito de ficar andando por aí em grandes grupos.
Apesar de todas as outras pessoas que se relaciona, Lucas tem dois bons amigos que sempre faz questão de acompanhar: Ricardo Baltazar III e Gustavo Garra Luís; ou Rique e Gus, como são mais conhecidos.
Rique, apesar do nome aristocrático, não tem origens muito mais nobres do que a família de Lucas. E inclusive, mora no mesmo bairro. Ligeiramente mais alto e mais encorpado do que muitos da sua idade, já bancou o guarda-costas do trio muitas vezes, especialmente contra os filinhos-de-papai que adoram uma confusão gratuita. Sua atitude elétrica e brincalhona o faz, regularmente, bancar o espertalhão. Nesse quesito, Ricardo lembra muito o “primo-irmãozão” de Lucas. Cabelos e olhos castanhos; pele naturalmente bronzeada, o mais bonitão dos três (ou seria o menos esquisito?)
Gus é o típico nerd de computador, viciado em RPG e videogames. Sendo também leitor exemplar, adora pesquisar sobre idéias mirabolantes, teorias da conspiração, intrigas da oposição e mais um monte de coisas, na maioria absurdas, das quais só ele ouviu falar. Bem menos tímido do que aparentemente deveria ser, Gustavo não perde tempo pra sair fazendo piada sobre as mais diversas situações (ainda que um tanto infames). Sua aparência é a mais típica esperada de um nerd, até os óculos de graus exorbitantes estão lá. No entanto, a cabeleira loira e desarrumada que se estende até a altura do queixo, o dá um ar menos certinho e mais escrachado.
Bem, aqui estou eu. Entediado de novo. O que eu poderia fazer com essa caneta e essas folhas de papel? Poesia? Cansei disso quando eu me dei conta de que seria muito bom se eu entendesse meus próprios poemas. Ei, talvez eu devesse escrever uma história! Sim, uma história! Eu não posso decepcionar vocês, já que começaram a ler isso aqui por própria conta e risco, certo? Prontos? Aí vou eu.
Prólogo
Tinha um garoto que se chamava Lucas. Lucas Luca. Ele não havia completado nem quinze anos quando tudo isso ocorreu. Ah, esse Lucas... Vou te contar, ele era um desses garotos que achavam que tinham mil problemas e passava bons tempos de sua juventude divagando pelos cantos uma maneira de resolvê-los. É como dizem: Coisa da idade.
O Lucas morava nessa cidadezinha simpática chamada Gaivera. A origem do nome é tão controversa quanto às histórias que os marujos, atracados nos seus movimentados portos, sussurravam no ouvido das moças que passeiam a beira-mar. Garanto que a vida noturna lá é bem a agitada! (só não deixem a patroa saber que eu disse isso!)
Hã, er... Bem. Voltando ao garoto. Lucas morava na rua de um bairro onde as casas costumavam ser grandes e de arquitetura tradicional. Não era por menos: Havia, no local, uma antiga tradição de grandes famílias. Pais, mães, filhos, tias, avôs, bisavôs, tios, noras, genros, todas as raças de primos... Tudo embaixo do mesmo teto. Uma beleza! Não é preciso citar que todo jantar, era em família.
E lá estava o tal garoto, sentado entre a irmã e o priminho pentelho, encarando a sopa de feijão.
- Vovó, me serve mais um pouco de arroz?
- Que carne dura...
- Jonas, coma suas verduras!
- Manhêêê, o Ricardinho ta jogando sal no meu cabelo!
- Repete se tu for homem, seu moleque abusado!
- Marco! Largue o pescoço do seu primo!
- Esses jovens de hoje em dia andam muito indisciplinados! No tempo da guerra, quando os americanos ainda andavam soltos por aí...
- Ai, Gernásio! Lá vem você com essas histórias de guerra!
- Arre - égua, mulhé! Tu nunca me deixas terminar de falar!
- Pai, compra um Ipod?
Entre o tilintar dos talheres e todas as outras vozes, Lucas ouvia ao longe todas essas conversas cruzadas.
- Seria bom ter um jantar silencioso de vez em quando. – murmurou.
- Ê, Lucas-zinho, o que você ta resmungando aí? – Perguntou a irmã, usando o apelido que costumava usar quando queria ser chata.
- Nada. Eu já acabei. - Disse enquanto retirava o seu prato e talheres da mesa para depositá-los na pia da cozinha. A irmã vinha logo atrás.
- Seja lá o que você for fazer, não demore! Hoje você tem que me ajudar com a louça! – lembrou-o.
- Ok, ok...
Lucas subiu a escada comprida na lateral da sala de estar e foi até o fim do corredor, entrando na porta da direita. Seu quarto. Seu calmo e aconchegante refúgio. Ta certo que esse lugar costuma ser muito mais animado quando o Marco, seu irmãozão está por perto, bem frequentemente, já que também é o quarto dele.
Falando nele:
- E aí, maninho! – O rapaz de cabelos ruivos e encaracolados entra no recinto.
- E aí, primo.
Ah, sim. Marco é só mais um primo de Lucas. Mas um primo tão íntimo e compreensível que os dois se tratam como irmãos mesmo.
- Ta de bobeira aí?
- Só ouvindo umas músicas – comentou Lucas enquanto encaixava um CD no som.
Marco se trancou no banheiro e ligou o chuveiro bem forte, como de costume. Enquanto isso, Lucas se distraía profundamente com a música, enquanto olhava a Lua, que se posicionava convenientemente na janelinha redonda bem no alto da parede. E começou a pensar, como sempre. E é nesse ponto que vamos nos desatar desses acontecimentos mundanos e nos concentrar na pessoa. Quem é Lucas?
Capítulo 1 - Só mais um garoto, só mais uma história. Ao menos ele tem uma história.
Lucas. Você já ouviu bastante esse nome. E vai continuar ouvindo.
Nascido em uma manhã de janeiro, o Lucas-zinho não teve uma infância muito diferente das outras crianças em seu bairro. Tirando o fato de que ele era o mais novinho, o mais baixinho, o mais fraquinho, o mais ingênuozinho, e – dizem as más línguas – o mais fresquinho da gangue de garotos com quem ele costumava brincar pelas ruas, ele sempre foi um moleque como outro qualquer. Correndo por aí, fazendo baderna, arrumando confusão e só se preocupando em brincar e se divertir bastante antes da mamãe chamar pra tomar banho. De manhã: Escola; De tarde: Rua. Nem por isso sua infância deixou de ser saudável, pelo contrário.
O tempo, porém, que além de ser apressadinho é um folgado, começou a mudar tudo. Já mais crescidos, quase adolescentes (e os mais velhos já quase no auge da adolescência), começaram a se encontrar com uma freqüência bem menor. Muitos deles tinham se mudado de lá, saído das casas das grandes famílias para morar com os pais em outro bairro qualquer. Já outros, tinham arranjado outras turmas, mais de acordo com seus interesses juvenis. Pouquíssimos permaneceram amigos de verdade, a maioria se tornou apenas velhos conhecidos.
E Lucas se tornou o Lucas. Um jovem rapaz de olhos e cabelos muito pretos, um rosto ligeiramente angular, um penteado nada cabeludo ou rebelde, mas deveras indeciso para um cabelo curto. Magro, semi-atlético-mais-ou-menos e uma estatura bem razoável se comparado aos outros garotos da sua idade.
É tímido, introspectivo e meio cabeça-de-vento às vezes, mas é bem seguro quanto às suas decisões. A não ser quando se depara com uma menina um pouquinho mais bonita que as outras. Ele se torna um completo idiota e passa dias, semanas ou até (nos casos extremamente graves) meses envolto em sua própria bolha cor-de-rosa de fantasias mágicas. E é exatamente nesse ponto que se encaixa Lyna Häagen.
Cabelos ruivos longos e brilhantes, olhos azuis, pernas longas e aparentemente macias e medidas que atraem dos garotos mais novos até os bem mais velhos! Deus disse: “Que se faça uma jovem, não só gostosa, mas estupidamente linda de babar!” E Lyna desceu dos céus ao pátio de escola, fazendo todos os meninos cair em pecado.
Descendente direta de alemães, Lyna fala com um sotaque suave; quase imperceptível, culpa de uma longa temporada vivendo no país de seus pais. Estando encarnada naquele corpo, porém, qualquer coisinha é motivo de bajulação por parte de muitos no colégio.
É a coisa mais óbvia que a bolha cor-de-rosa de Lucas nunca esteve tão inflada. E é também a coisa mais óbvia que Lyna não morre de amores por ele. Pois se fosse assim, seria muito simples resumir uma grande parte dessa história em poucas linhas daqui em diante, mas não vou me dar o luxo!
Lucas a considera intangível, acima de seu alcance. Ele não passa de um tolo vassalo que idolatra uma donzela que nem sabe de sua existência. O palerma passa o tempo todo imaginando coisas desse tipo que nem imagina que ela não só sabe de sua existência, como o acha “engraçadinho”. Claro que só isso não basta para alguém tão patetamente apaixonado. Além do que, a concorrência é violentíssima. Mas ela é uma menina de família e sabe que não deve sair se envolvendo com qualquer um. Isso enlouquece os babões de plantão.
Lyna Häagen é bem popular no ambiente escolar; sem esforço nenhum. Lucas Luca, por outro lado, mais parece um figurante circulando pelos cenários da peça. Seria mentira dizer que ele é o esquisitão-sem-amigos, pois ele tem uma vida social deveras saudável. Só não é muito de ficar andando por aí em grandes grupos.
Apesar de todas as outras pessoas que se relaciona, Lucas tem dois bons amigos que sempre faz questão de acompanhar: Ricardo Baltazar III e Gustavo Garra Luís; ou Rique e Gus, como são mais conhecidos.
Rique, apesar do nome aristocrático, não tem origens muito mais nobres do que a família de Lucas. E inclusive, mora no mesmo bairro. Ligeiramente mais alto e mais encorpado do que muitos da sua idade, já bancou o guarda-costas do trio muitas vezes, especialmente contra os filinhos-de-papai que adoram uma confusão gratuita. Sua atitude elétrica e brincalhona o faz, regularmente, bancar o espertalhão. Nesse quesito, Ricardo lembra muito o “primo-irmãozão” de Lucas. Cabelos e olhos castanhos; pele naturalmente bronzeada, o mais bonitão dos três (ou seria o menos esquisito?)
Gus é o típico nerd de computador, viciado em RPG e videogames. Sendo também leitor exemplar, adora pesquisar sobre idéias mirabolantes, teorias da conspiração, intrigas da oposição e mais um monte de coisas, na maioria absurdas, das quais só ele ouviu falar. Bem menos tímido do que aparentemente deveria ser, Gustavo não perde tempo pra sair fazendo piada sobre as mais diversas situações (ainda que um tanto infames). Sua aparência é a mais típica esperada de um nerd, até os óculos de graus exorbitantes estão lá. No entanto, a cabeleira loira e desarrumada que se estende até a altura do queixo, o dá um ar menos certinho e mais escrachado.
Essa era sua "tchurma".
Capítulo 2 - Escola, jovem escola.
Um dia nessa escola seria mais ou menos assim:
Subindo a escadaria de concreto em frente ao prédio principal, o garoto avista uma multidão de pessoas vestindo azul e branco no pátio do colégio. Duas figuras de distinguem da multidão e vêm falar.
- Fala Lucas! – diz Rique com um sorriso.
- Olha só quem quase se atrasa! – Gus, sempre de bom humor.
- Pois é. Meu relógio parou. Quantos minutos faltam pro sinal?
- O suficiente pra aproveitar a vista! – Rique inclinou a cabeça para um grupo de garotas com um olhar malicioso.
- Ho ho hooow! – Gus animou-se, fez um gesto e ajeitou os óculos ao reconhecer as garotas.
- Rapaz... – Lucas admirava com certa hesitação.
Um dia nessa escola seria mais ou menos assim:
Subindo a escadaria de concreto em frente ao prédio principal, o garoto avista uma multidão de pessoas vestindo azul e branco no pátio do colégio. Duas figuras de distinguem da multidão e vêm falar.
- Fala Lucas! – diz Rique com um sorriso.
- Olha só quem quase se atrasa! – Gus, sempre de bom humor.
- Pois é. Meu relógio parou. Quantos minutos faltam pro sinal?
- O suficiente pra aproveitar a vista! – Rique inclinou a cabeça para um grupo de garotas com um olhar malicioso.
- Ho ho hooow! – Gus animou-se, fez um gesto e ajeitou os óculos ao reconhecer as garotas.
- Rapaz... – Lucas admirava com certa hesitação.
Um sino nervoso ecoou pegando muito de surpresa. As portas foram abertas e o pátio rapidamente evacuado.
Ao terminar de subir um grande lance de escadas, se apertando entre vários alunos, os três chegam a um corredor largo, onde funcionários circulavam destrancando as portas das salas de aula e acendendo as luzes. Nos vários espaços entre as portas de uma sala e outra, havia muitos armários internos de madeira.
- Espera aí! Preciso passar no meu armário. – Alertou Gus tirando um chaveiro esquisito do bolso com várias chaves diferentes.
- Pra quê tanta chave, homem? – Estranhou Rique
- Sou um homem cheio de segredos, preciso manter muitas coisas trancadas... – Gus deu um sorriso maroto.
- Ahã...
- E esse seu armário aí? Número 666?! – Perguntou Lucas enquanto analisava com os dedos a plaqueta metálica de identificação no centro da porta.
- Estiloso né? Nem te conto o que eu fiz pra conseguir ele... AH! Merda! – Um amontoado de livros, cadernos e várias folhas de anotações despencaram do armário assim que Gus o abriu, e se acabaram no chão no maior estardalhaço.
- Caraca, que bagunça! – admirou-se Lucas.
- Falou o senhor organização! – Gus respondeu debochando.
- Eu ser desorganizado até que vai. Mas um nerd como você?
- É! Você traiu o movimento Big Bang Theory, véio! – Rique deu dois tapinhas nas costas de Gus e gargalhou com Lucas. Gus, por sua vez, estava muito ocupado fazendo pressão contra o conteúdo do armário, para que ele se acomodasse de qualquer jeito.
Um segundo sinal tocou. Assim como a grande multidão, os três encontraram sua sala e entraram.
- Rapazes! Tiramos a sorte grande! Olha só quanta gostosa! – Rique se animava apoiado nos ombros dos dois amigos.
- Ai, ai... Nada se compara ao time de vôlei do ensino médio, mas já dá pra se contentar. – suspirou Gus.
- Com essa mentalidade, você vai ser BV pra sempre. – brincou Lucas.
- Eu não sou BV imbecil!
- Caaaaalma, Guzzi! Não fica nervosinho! Mas aquela história com sua prima ainda precisa de confirmação! – Lucas cutucou Gus com o cotovelo e riu da própria piada.
- Vocês tão todos gozadinhos hoje...
- Qualé, Lucas? Tu também não pega ninguém! – alertou Rique dando um empurrãozinho em Lucas.
- Pergunta isso pra sua mãe, então.
- Ah, é pra colocar a mãe no meio, é? Fela da pu...
- SILÊNCIO! Eu já estou em sala e quero silêncio absoluto!
Um homem gordo e seu jaleco branco entraram na sala. Os óculos retangulares de armação grossa e os cabelos que rareavam no topo da cabeça o davam um ar de idade, mas ele mal tinha chegado aos trinta.
Assim que subiu no pequeno palanque em frente ao quadro negro e o bateu com moderada violência, fazendo um estrondo firme e pó de giz reverberar ao seu redor, todos se aquietaram em seus lugares.
- Meu nome é Jonas, e serei seu professor de ciências sociais nesse ano que se inicia...
A aula seguiu monotonamente, bem como os dois horários seguintes. Quando a turma mais esperava, o sinal tocou.
- Ha ha ha... aquele professor de química é doidão!
- E o de matemática? Parece uma múmia.
- Vamo lá na cantina comigo?
Comentários entusiasmados não faltavam, mas Lucas já tinha tirado suas próprias conclusões; e agora relaxava respirando o leve ar matinal na parte aberta do pátio interno. Gus viu o amigo solitário, como de costume e foi fazer companhia.
- Ei, Lucas.
- Fala.
- Cara, você não achou sacanagem o professor de matemática me trocar de lugar só porque eu virei e fiz um comentário? Como se eu fosse o único conversando. Eu juro que...
Gus falou e falou. Mas nada parecia surpreender muito Lucas. Na verdade, nada que ele dissesse ia conseguir chamar sua atenção a ponto de sequer entender as palavras que aquele ser mundano inconvenientemente na sua frente discursava com tanta convicção. Nenhum fonema conseguia abalar suficientemente os tímpanos de Lucas. Uma enorme bolha cor-de-rosa o envolvia e o amortecia de qualquer ruído externo inconveniente.
Por pouco mais de um segundo, os olhares de Lucas e Lyna se cruzaram novamente; e o coitado se entregou por completo. O fluxo do tempo se alterou e tudo que não era relevante aos olhos, simplesmente perdia o foco e o movimento. Cada fração de segundo se tornava em doces eternidades, em que a única razão para o conceito de existência, era admirar aquele sorriso. Um sorriso de aparência tão pura poderia ser facilmente confundido com o de um anjo, ou outra criatura mítica à altura. Nada mais faria sentido se naquele momento, ele não respirasse fundo, estofasse o peito e começasse sua caminhada; caminhada essa para segurar a mão dela e dizer:
-CARALHO LUCAS! Presta atenção!
Lucas acordou subitamente para ver que não só Gus se encontrava a sua frente, despenteado e levemente nervoso, como Rique também estava lá, segurando o riso numa expressão marota.
- Ó-lha só, quem ain-da ta apaixonado pela prince-zinha de cabelos ruivos! – Rique zombava quase cantando e fazia gestos afeminados, num enorme gosto.
- Qualé, Luca. – fez uma pausa, ajeitou os óculos e prosseguiu. – Você mesmo já reconheceu que essa garota não serve. Ela é perfeita demais. Um alvo fácil pros boyzinhos de academia e afins. Você mesmo disse!
- Pô meu, assim você vai traumatizar o moleque! Ele é meio “prá-dentro” e tal, mas nada que um pequeno impulso não resolva!
Lucas suspirou.
- Bem, vocês sabem que... – Ele nem terminou de falar e já estava sendo arrastado pelo antebraço na direção de Lyna e seu grupo de amigas, por Rique.
- Você enlouqueceu!?
- Se você não consegue vencer sua timidez, alguém vai ter que fazer por você! – Retrucou o seu captor, entusiasmado.
Mas antes que ele pudesse gritar “Ei Lyna” ou algo assim, o sino histérico pegou todo mundo de surpresa de novo, marcando o final do intervalo; e as garotas se retiraram rapidamente na direção oposta.
- Ah, que azar. Reclamou Rique, desapontado.
Nisso, ele notou que algo reluzia no concreto fino do pátio interno, bem próximo aos seus pés. Um chaveiro de ursinho. Nas costas do bicho, uma caligrafia carinhosa dizia: “Lyna”.
Rique cata o chaveiro do chão e o bate contra o peito de Lucas com a mão cerrada.
- Aí, garanhão – uma piscadela cômica – agora você tem um motivo pra ir falar com ela.

14 comentários:
simplesmente...não sei
essa é uma historia espantosamente real, e tambem uma que ninguem nunca contou.
sabe...eu vi muito de voce nessa história, e, como voce bem sabe,muito de mim...
foi maldade sua colocar essa história assim...eu PRECISO do resto
não sei se voce entende, mas eu TENHO que saber como essa história acaba
Abraços D.
Poxa, véio... Cê não devia fazer isso... Agora me deixou ansioso pro final... É sério, essa história é tão envolvente quanto a visão de uma cama confortável no início da primeira aula.
Ah, e, não sei por quê, mas eu ri muito quando li "Um homem gordo e seu jaleco branco entraram na sala."
MINHA PERSONAGEM PRINCIPAL SE CHAMA LINA! (Do meu texto!)
SE CHAMAVA NÉ ¬¬
Ainda nem acabei de ler o primeiro capítulo, mas vim comentar. Não quero ser acusado de plágio. Mas aceito sugestões para uma loira escocesa gatíssima bissexual fumante. =D
(Para o nome da escocesa)
Uma vez, eu ouvi akgun fancy pants dizer que um bom escritor é aquele que não se representa em seus livros.
FODA-SE, me lembrei de você em cada palavra desse trecho, e GOSTEI.
:D
akgun não é AK GUN, e sim algum. Nossa! 4 comentários.
Velho ta mto foda meo deos do céu NOSSA SENHORA AVE MARIA DA SANTISSIMA TRINDADE ta completamente sem noção de foda ow como diria o Vinicius sem NOSSão !1!1@
Bem voltando ao comentário eu gostaria de dizer que foi cruel da sua parte acabar logo no momento TA DAN DAN i mean EU TENHO QUE SABER O RESTO !!!
Não sei porque mas eu meio que me reconheci no personagem ''Gus'' teria vc pensado em mim quando fez ele ?
outra coisa muito interessante é que vc escreve muito bem , não é todo mundo que tem esse dom, realmente me deixo envolvido essa história !!!! o/
Pedro, que tal Cecil Bridgewater?
Esse é um dos nomes mais geniais que eu já ouvi...
Na verdade o personagem principal foi inspirado em outro personagem fictício já existente. Mas não posso negar que Lucas tem uma boa dose de experiência pessoal em sua pessoa.
Vale a pena dizer que Lucas era um dos nomes que eu poderia ter sido batizado, além de Joel... mas é uma longa história.
Obrigado pelas críticas positivas e estou trabalhando mais no Lucas, para que ele não fique tão parecido comigo. Eu odiaria se isso acontecesse.
Yes! 10º comentário!!! (valeu pela colaboração, Pedro =D )
Também, pra um post tão enorme de grande, 10 comentários são nada mais do que justos!
Dave, você estava do meu lado quando eu li estes capítulos matreiros durante o intervalo (pra ser específico, até bem depois do sinal ter batido), logo presenciou as diversas gargalhadas ao longo da narrativa: "esses jovens de hoje", "e Deus disse: que se faça uma garota gostosa e linda de babar", "você traiu o movimento Big Bang Theory", e por aí vai!
Em síntese: uma história não só hilária como também muito real. Incrivel como eu consegui realmente visualizar os personagens e imaginá-los na nossa própria escola!
Siga em frente com esse projeto, cara! Agora você tem leitores fiéis, que não pode desapontar.
E, plagiando os outros aí de cima: POHA! FOI FECHAR O CAPÍTULO LOGO NA PARTE MAIS LOKA?! Posta logo aí a continuação que a gente quer saber que fim deu no chaveiro de ursinho.
Abraks \o\
"Siga em frente com esse projeto, cara! Agora você tem leitores fiéis, que não pode desapontar."
É isso aí. E, se desapontar, nem queira saber o que vai acontecer.
Ah é bizzar..by the way..
O nome da menina por acaso foi inspirado na Nina Hagen? ( aquela cantora dos anos 80 )
só de curiosidade msm
Nina quem?
Bom cara, como eu já te disse pessoalmente, ta muito fera a história!!!
Ainda mais depois de fechar o post no momento "PUTAKEOPARIU E AGORA!?!?"
Hmm.. quero ver se vai sair o próximo capítulo na quarta mesmo hein..
parabens dude, ta doidera!
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