quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Depois do surto


Um dia de cada vez...

Um lento processo de auto conhecimento. Encaro o vazio que carrego e sinto-me à beira da insanidade. Somos algo além de organismos com uma  consciência acidental?  Somos seres espirituais tendo uma experiência carnal? Será que isso realmente importa?

É preciso encontrar um sentido, algo que nos faça levantar pela manhã e pensar "que bom, mais um dia". "Que droga, outro dia" é o que penso na maior parte das vezes. Enquanto isso, os anos voam.
o futurista ano de 2010 foi há 4 anos atrás. 4 anos. Uma criança já sabe falar, pular, brincar e ser mais esperta do que você com 4 anos. Essa transitoriedade incessante de tudo me desconcerta.

Tenho tido dificuldades pra dormir. Sonhos estranhos. Vejo olhos me encarando e acordo de súbito. Sinto que mexi uma perna, ou um braço, mas foi apenas um sonho. Tenho espasmos reais e acordo inquieto. Sinto medo. Medo de coisas que não entendo. "E se os anos de abuso me fizeram desenvolver uma disfunção no cérebro?"    Penso em todas as oportunidades que estou perdendo enquanto tento dormir nesse quarto semi-escuro.

"Então eu não venho mais também." Ela me disse por sms. Tínhamos combinado de nos encontrar na faculdade, mas eu tive uma crise de panico durante a noite e não dormi nada. fiquei em casa. Talvez seja melhor assim. Eu não estou bem, não estou nada bem, apesar de sentir um certo conforto escrevendo. De qualquer forma, me sinto um merda. Mais uma oportunidade perdida. Talvez eu tenha aversão à felicidade que, dizem, só é verdadeira quando compartilhada. Sempre quis ficar sozinho. Sinto luxúria, desejo, como qualquer um... Mas na maior parte do tempo, ficar sozinho é o suficiente. Mas até onde isso vai funcionar? É um lento processo de auto conhecimento e as coisas estão mudando. Preciso parar de "querer ser" e simplesmente alcançar os objetivos. Preciso ser menos acomodado, mais curioso, mais pró-ativo.

Palavra é vento. Vida é sonho. Ação é a única realidade.

Hora de sair da inércia.



Não sei se estou pronto.

Um comentário:

Rafa disse...

O vazio que criamos somos nós mesmos. A insanidade que espreita somos nós mesmos. Imagino que se conseguíssemos encarar tudo isso de frente, não veríamos mais que um espelho. Um espelho em que o fundo muda mais rápido do que podemos acompanhar, mas a gente continua lá, com a mesma cara de segunda-feira de manhã achando que "não, hoje vai ser diferente".

Uma vez li uma reportagem sobre um cara fazendo uma matéria enquanto atravessava um deserto enorme sozinho. Ele diz que caminhar, só, naquela vastidão, fez ele notar que vivia a vida como que em fast forward. Mas depois de frear, parando pra prestar atenção, ele via que tudo que ele achava estar perdendo enquanto o tempo voava estava lá na frente dele o tempo inteiro.

Talvez o lance seja esse.