domingo, 19 de março de 2023

Eu (parte 2)

 as vezes não sei o que quero fazer
as vezes não sei como deveria viver
minha psicóloga fala em aprender a servir
claro que ela tem razão, eu não deveria ser tão

autocentrado. Talvez, por mais pessimista que eu seja, em relação a mim mesmo, eu me coloco no centro
 
e distorço a verdade à minha imagem e semelhança.

faz muito tempo que não escrevo nada. Sempre achei que escrevo melhor bêbado. Isso que dá ler bukowski e nunca mais parar.
Mas eu tô parando.... aos poucos.

A luz lá fora dá vida às cores. O verde das palmeiras. O cinza do asfalto. A sensação de ter a vida breve passando em instantes efêmeros. A vida, dizem, é uma experiência curta. Não acredito nisso. A vida é longa. E passa na velocidade que tem que passar.

Existir é um mero acaso. Será isso verdade? Que seja. Eu gosto de estar aqui. Digitando palavras soltas numa nota auto-adesiva. Eu sigo refletindo sobre minha própria existência. Como um trompetista improvisando um jazz numa noite quente. Como Chet Baker instrospectivo lamentando sua última namorada.

Eu posso, e devo, amar meu semelhante. Eu deveria encontrar uma mulher a quem pudesse servir e amar. Eu deveria ser um servo do desejo alheio, para convencer meu egoísmo da sua insignificância. Eu deveria resignificar toda a forma de se encarar. Não é uma fuga. Fugir de si mesmo é a coisa mais burra. E ao mesmo tempo intuitiva. Que alguém nascido 1992 poderia fazer.

Eu acredito no coletivo. Eu aprendi o socialismo dando voltas no mundo. No "meu" mundo. Ninguém me forçou a pensar do jeito que penso. Ninguém me forçou a vender minha força de trabalho. Eu só quero estar em paz. No lugar onde nasci. Nesse país desigual. Nesse Distrito preso em si. Eu quero acreditar. No potencial de bondade de todas as pessoas. Eu sou inocente, pois dou uma chance ao pior dos bandidos. Porque olho nos olhos deles e penso "ok", "ele vai levar meu celular", "mas talvez consiga mudar sua existência material nesse mundo competitivo e insano", "eu não mereço esse aparelho de qualquer forma".

O mais bondoso dos deuses não merece a humanidade. Não tem nada de bonito em estar desesperado. Mas o Redentor perdoa seus irmãos, humanos. Pois Consciência é isso. É ser misericordioso com todos os seres.

Eu não quero me colocar no centro, como fiz um tempo atrás. Eu não quero ser o início - e o fim - do mundo. Eu só quero ser David. E estar pronto pra próxima segunda-feira.

Eu posso - e vou - viver essa vida adulta. Eu nunca quis envelhecer. Mas não depende de mim. Estou vivo. Estou aqui. E vou seguir.

Seguir escrevendo sob títulos definitivos.

Agradeço a todos os amigos que estão aqui.

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